Liberdade de Ensino e respeito pelo descanso dominical outras questões abordadas na Assembleia Plenária da CEP

Fátima, 02 mai 2019 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou hoje em Fátima a sua “preocupação” perante o aumento de movimentos nacionalistas na Europa.

“Preocupados estamos sempre”, admitiu o cardeal-patriarca, sublinhando que “os nacionalismos estão por aí, outra vez, por essa Europa fora, geralmente mal explicados, que fazem da história um pretexto para justificar opções presentes”.

Falando aos jornalistas no final da 196ª Assembleia Plenária da CEP, que se iniciou esta segunda-feira, o responsável recordou que o atual projeto comunitária permitiu “oito décadas de paz” e disse o mesmo representa “um valor demasiado alto para pormos em causa”.

O presidente da CEP pediu uma “sociedade com lugar para todos” e advoga a partilha e não a contraposição de culturas.

“Estamos muito diversificados pelo mundo, temos dimensão transnacional das coisas, é uma boa ajuda para ultrapassar os nacionalismos”, afirmou.

Os bispos portugueses apelaram à participação nas próximas eleições europeias a partir dos valores da “dignidade humana, do bem comum, da solidariedade e da subsidiariedade”, presente nos princípios da Doutrina Social da Igreja (DSI).

“Só intervimos como mobilizadores de consciência, somos cidadãos”, afirmou D. Manuel Clemente.

A Assembleia plenária aprovou uma carta pastoral, «Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja», como um contributo para ajudar os “católicos” em Portugal e “tantos outros portugueses” que apresenta “um resumo” dos ensinamentos da Igreja para que se tenham em conta “orientações evangélicas” na “orientação de problemas”.

“Somos chamados a pronunciarmo-nos sobre projetos concretos, os dados pedem que se olhe com mais concretização para a realidade”, indica o  cardeal-patriarca de Lisboa.

A carta dos bispos destaca a importância da “liberdade de educação e na saúde” invocando um “Estado nem centralizador nem mínimo”.

D. Manuel Clemente falou na necessidade de, “como sociedade organizada”, dar às famílias “meios para essa concretização”.

“Os projetos educativos, úteis e procurados por pessoas fora da Igreja, porque não hão de ser apoiados?”, referiu, em conferência de imprensa.

Considerações que o presidente da CEP enquadrou num contexto “mais vasto” que “aponta contra a dignidade da pessoa e da família”.

Questionado sobre a defesa do domingo como dia de descanso, D. Manuel Clemente afirmou-se do lado da “promoção da pessoa humana” e sustentou uma lei que “defenda mais as pessoas”.

“A pessoa humana está no princípio e meio da sociedade. Se partimos daqui, temos de tirar consequências”, advogou o responsável que considera haver trabalhos que não necessitam de laboração contínua.

“Que tenham em conta que é de pessoas que se trata. Há serviços que não podem parar mas tenhamos em conta que são pessoas, não indivíduos em abstrato”, sustentou.

LS/OC

196.ª Assembleia Plenária da CEP

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