Educação: Fundação Fé e Cooperação inaugura exposição dedicada aos direitos das crianças na Conferência Episcopal Portuguesa
2 Junho, 2026 13:56
Iniciativa reflete a presença da organização na Feira de Projetos Educativos 2026 do Seixal, onde recebeu várias escolas
Foto: Fundação Fé e Cooperação
Lisboa, 02 jun 2026 (Ecclesia) – A Fundação Fé e Cooperação (FEC), Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), inaugurou, esta segunda-feira, a exposição “Direitolândia”, na sede da Conferência Episcopal Portuguesa, na Quinta do Bom Pastor, em Lisboa.
Fruto da presença da ONGD na Feira de Projetos Educativos 2026, no Seixal, que decorreu entre 12 e 16 de maio, a mostra é dedicada aos direitos das crianças e inclui vários espaços: Sentir a diversidade; Educação, Nutrição, alimentação e saúde; Cuidados e Proteção e Brincar e Participação.
A primeira estação reflete a viagem que os alunos de várias escolas fizeram pelo mundo sem sair do lugar, onde descobriram que existem muitas formas de falar de comer e se sentir e que, embora vivam em diferentes países, culturas e contextos, todas têm os mesmo direitos.
“Agora, convidamo-lo a fazer essa mesma viagem: vende os olhos, aproxime-se da mesa de especiarias e deixe-se guiar pelos cheiros, pelos sons e pelas sensações de diferentes culturas do mundo. Tente imaginar onde está, o que está a sentir e quem poderá viver daquele outro lado do mundo. Depois, observe as imagens e descubra o mundo com novos olhos”, convida a FEC.
O visitante é depois guiado até ao espaço sobre o direito à educação, no qual as crianças foram convidadas a refletir sobre o que significa aprender e, através de desenhos e palavras, representaram os seus talentos, interesses e sonhos.
Foto: Agência ECCLESIA/MC
Aqui, a exposição apresenta a silhueta de uma pessoa e desafia a escrever ou desenhar no seu interior aquilo que já aprendeu e de que se orgulha, ou algo que gostaria de saber mais no futuro.
Segue-se o “Direito à Nutrição e Saúde”, em que os visitantes são convidados a fazer o mesmo percurso que as crianças realizaram na “Direitolândia”, construindo o seu “prato do dia a dia”, com alimentos de um mini-mercado e refletindo sobre aquilo que comem, distinguindo aqueles que são mais ou menos saudáveis.
A seguinte estação, “Direito a Proteção e Cuidados”, retrata o debate que os mais novos tiveram no Seixal, em que refletiram sobre situações do quotidiano relacionadas com proteção, segurança e cuidado.
Foto: Agência ECCLESIA/MC
“Leia as frases apresentadas e escolha a sua posição, colocando-se junto de ‘sim’, ‘não’ ou ‘não sei’. Depois reflita sobre como todas as crianças devem ser protegidas em qualquer situação. Se estiver acompanhado, ouça as diferentes opiniões e debata sobre elas”, assinala a FEC.
No espaço “Direito a Brincar e à Participação”, as crianças descobriram que brincar também é aprender: jogaram, fizeram desenhos, pintaram, saltaram à corda, jogaram à bola, correram, jogaram mikado e ioiô.
“Agora é a sua vez. Experimente os jogos e materiais disponíveis e divirta-se!”, incentiva a organização.
A Fundação Fé e Cooperação recebeu, entre 12 e 15 de maio, várias escolas na “Direitolândia”, na Feira de Projetos Educativos 2026, que decorreu no Parque Urbano do Seixal e em edifícios da antiga fábrica da Mundet.
“A ‘Direitolândia’ é um espaço mágico, como nós costumamos dizer às crianças”, explicou Catarina António, gestora de projetos da FEC, na altura, referindo que naquele espaço trabalharam as cinco dimensões dos direitos dos mais novos de uma forma lúdica e fazendo um momento de reflexão.
Nós costumamos perguntar no início da atividade se todas as crianças têm os mesmos direitos e, inevitavelmente, ouvimos muitas vezes que ‘não’, mas o ‘não’ não é que não devam ter, o não é que, de facto, não estão garantidos de forma igual em todas as partes do mundo”, destacou.
Por isso, adverte Catarina António, é importante começar a tomar consciência que todos são “corresponsáveis pelos direitos uns dos outros”.
Catarina António contextualiza que a “Direitolândia” se insere perfeitamente no espírito da própria FEC, cuja missão é a promoção do desenvolvimento humano integral: “As crianças são os homens da manhã, portanto estas ações que nós desenvolvemos estão muito ligadas também à educação para o desenvolvimento, à cidadania global, à adoção de comportamentos responsáveis”.
A responsável admitiu que o feedback recebido foi “muitíssimo positivo”, principalmente dos mais novos, mas também dos professores, indicando que equipa ouviu constantemente que aquele era o espaço mais procurado pelas crianças.
O espaço de aprendizagem sobre os direitos das crianças contou também com a envolvência de outras estruturas da CEP, como o Secretariado Nacional da Educação Cristã e a Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM).
“Estamos aqui por um objetivo comum que é valorizar a pessoa, a sua dignidade e toda a vida e o seu projeto de vida. E quando falamos de crianças, falamos de educação e, portanto, o Secretario Nacional, naturalmente, é um parceiro com a FEC, Fé e Cooperação, por todos os motivos”, expressou na altura António Cordeiro, coordenador do departamento de EMRC.
Eugénia Quaresma, diretora da OCPM, destacou que os três setores da CEP estão “interligados” e que “as crianças são o futuro”: “Nós precisamos de cidadãos que, sentindo os seus direitos protegidos e experienciando os seus direitos, depois venham a ser adultos que, cumprindo o seu dever, ajudam a que outros também vivam estes direitos”.
Foto: Agência ECCLESIA/HM
A responsável admitiu que foi muito “bonito constatar a diversidade de cada turma e a capacidade de inclusão” de cada uma delas.
“A escola já faz muito este papel, é um laboratório de acolhimento desta diversidade. E o modo como se relaciona com os alunos e o modo como incute os valores dão-nos esta experiência de que, a partir dos valores, podemos conviver todos, independentemente daquilo que trazemos de diferente e que vem dar mais colorido”, disse.
A Feira de Projetos Educativos do Seixal teve como tema “Educação para Todos” e foi organizada pela Câmara Municipal.
“Tinha todo o sentido que houvesse um espaço de brincar, um espaço de aventura, de partilha, no sentido de podermos valorizar os direitos da criança”, disse a vereadora para a Educação na autarquia do Seixal, falando sobre a “Direitolândia”.
Maria João Macau manifestou a vontade da Câmara em fazer com que o território seja cada vez mais inclusivo: “Qualquer criança que venha à escola pública ou aqui tem sempre o acesso e a igualdade de oportunidade de experimentar”.
A Fundação Fé e Cooperação foi criada em 1990 e atualmente tem projetos em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, em áreas como a Educação, Direitos Humanos, Alterações Climáticas, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar, Capacitação Organizacional e Proteção Social.