«Vamos sair disto com laços reforçados com as famílias dos nossos alunos», afirma presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas, que coloca os professores entre os «heróis da linha da frente»

Lisboa, 24 abr 2020 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) disse em declarações à Agência ECCLESIA que o terceiro período letivo abriu em “modo digital” e que é “preocupante” a instabilidade económica das famílias que já se faz sentir no ensino privado

“No contacto com os pais, já temos a perceção das alterações que se estão a verificar nos rendimentos das famílias, mas os colégios também não deixam de estar ao lado dessas famílias, como até agora têm feito, na medida das suas possibilidades de gestão”, afirmou.

Para o presidente da APEC, é necessário considerar o “horizonte de preocupação e do cuidar do outro alinhado com a Doutrina Social da Igreja”.

Foto: APEC

Fernando Magalhães diz que cada organização terá a sua capacidade de gestão, que difere muito consoante a população escolar que serve, o local ou caracterização social.

Para o responsável das escolas católicas, o teletrabalho tem sido, para já, a tábua de salvação de muitos, o que, no seu entender, está a evitar uma “desgraça económica da estrutura familiar”.

Fernando Magalhães lembra a situação de profissionais liberais com total ausência de atividade, empresários de microempresas em nome individual que perderam todas as fontes de rendimentos.

“Vamos sair disto com laços reforçados com as famílias dos nossos alunos”, sustenta o presidente da APEC, destacando “testemunhos notáveis” que tem recebido de diversas famílias que não foram atingidas por situações de desemprego ou perda de rendimentos.

“Há pais que estão a comunicar que, por não terem tido alteração no seu rendimento familiar, abdicam das bonificações nas mensalidades para que o colégio possa utilizar esses montantes para situações mais urgentes”, afirmou.

“Tal como as famílias se unem muito nos momentos complicados e de dor, os colégios fazem o mesmo, pois são verdadeiras famílias”, sustenta Fernando Magalhães.

Com a abertura de um novo período letivo, as escolas estão a reforçar a aprendizagem e a adaptação que já tinham feito quando o governo decidiu encerrar os estabelecimentos de ensino.

Fernando Magalhães reconhece que muitas escolas já tinham plataformas de apoio à relação com o aluno e com a família e que foram o suporte para o que passou a ser a nova casa na relação com os professores e com o ensino.

“Estamos todos neste processo de recomeço e de aprendizagem recíproca porque as famílias também estão a reaprender outros hábitos e também houve esta invasão da escola pela casa das pessoas que concorreu para uma mudança radical na estrutura de vida das famílias”, afirmou.

“O nosso modelo de ensino não é este, é um modelo presencial, e, portanto, tudo o que possa vir a ser feito agora é um modelo adaptado e que não é de todo o modelo sobre o qual o ensino está estabelecido”, afirma

Foto Lusa

Para o presidente da APEC, os objetivos pedagógicos também têm de ter em conta as condições em que a aprendizagem se está a fazer e os objetivos a alcançar têm que ser também  adaptados, não sendo possível pensar que os objetivos de um ensino presencial venham a se atingidos com estas alternativas do ensino remoto.

Fernando Magalhães lembra também o cuidado a ter com alunos com dificuldades de aprendizagem, que habitualmente necessitam de um “acompanhamento especial”, e que neste novo quadro de ensino “não podem ficar esquecidos”.

Num momento em que o país não se cansa de agradecer aos heróis da primeira linha, Fernando Magalhães acrescenta a esta classe de heróis os professores.

“A sua capacidade de revirar o sistema e revirar as mentalidades, gerir as emoções de alunos e de pais e aqueles que, em final de carreira já com uma certa idade, a revirar a sua didática para o digital… é de heróis.” afirma o presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas.

HM/PR

 

 

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