Rita Sacramento Monteiro, participante portuguesa no evento global, diz que iniciativa do Papa representa um ponto de partida para novo olhar sobre atividade empresarial

Lisboa, 22 nov 2020 (Ecclesia) – Rita Sacramento Monteiro, participante portuguesa no evento global ‘A Economia de Francisco’, que decorreu entre quinta-feira e sábado, defendeu que o futuro passa por uma cultura do “cuidado” com as pessoas e o ambiente.

“Temos tido acesso a muitas práticas internacionais, até em Portugal, empresas assumidamente cristãs ou independentemente da religião, ou sem assumirem uma confissão religiosa, que incluíram preocupações do cuidado com o ambiente, com as pessoas, com a forma como se contrata, como se paga, como se produz e que estão a dar lucro, grandes multinacionais”, refere a convidada da entrevista conjunta Renascença/Ecclesia, que é emitida e publicada semanalmente ao domingo.

A coordenadora de voluntariados na área da responsabilidade social da EDP integra o grupo ‘Economia de Francisco – Portugal’ e, após a conferência online que uniu mais de 2 mil participantes de 120 países, espera que do encontro resulte numa nova sensibilização da sociedade e dos decisores, em matérias como a conciliação trabalho família.

“A tónica tem de ser muita mais no sucesso coletivo, a excelência coletiva e não nesta pressão para um sucesso individual que depois me leva a não ter horários para nada, a andar sempre dividido, a viver em tensão com a minha família, com as outras dimensões da minha própria vida. Sem dúvida que esse é um tema”, sustenta.

Rita Sacramento Monteiro interpela decisores políticos e empresários a reforçar a atenção à “dimensão do cuidar” e às “dinâmicas de equilíbrio e de uma vida mais feliz”.

“As empresas não estão do lado do problema, estão do lado da solução. Há muitas empresas que estão a incorporar estas preocupações de cuidado e que são empresas sustentáveis, rentáveis e a dar lucro”, sustenta.

A entrevistada entende que o avanço de economia e da tecnologia “desumanizou” a sociedade, “em muitas frentes”.

“Hoje temos acesso a muitas coisas, a imensa informação, hoje conseguimos pensar temas e ter acesso a realidades de outros países, mas, em muitas dimensões, estamos mais pobres, estamos mais empobrecidos”, lamenta.

Quanto ao projeto “A Economia de Francisco”, Rita Sacramento Monteiro destaca a novidade que este encontro de empresários, economistas, gestores, docentes e estudantes, vendo nesta proposta do Papa um sopro de “oxigénio”, um “horizonte mais largo” que contrasta “com alguns discursos habituais ou viciados”.

“Economia de Francisco que é olharmos para a economia, o que diz das relações de trabalho, das relações com os bens; olharmos para a ecologia integral, o que diz das relações entre as pessoas e todos os seres vivos que há na terra e olharmos para isto tudo em conjunto, pensarmos isto em conjunto”, aponta.

Graça Franco (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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