Assinatura de memorando abre caminho a «certificação» para boas práticas ambientais

Lisboa, 07 jun 2021 (Ecclesia) – O diretor executivo de ‘A Rocha’, ONG de inspiração cristã que se dedica a questões ecológicas, disse à Agência ECCLESIA que a assinatura de um memorando entre Igrejas de Portugal abre caminho a uma “conversão ecológica”.

Marcial Felgueiras falava a respeito do memorando que vai ser assinado este sábado, em Lisboa, por várias instituições, com o objetivo de encontrar práticas comuns e promover uma certificação “verde” das comunidades cristãs.

“A parte do acordo vai culminar no memorando, mas a parte do trabalho vai apenas começar aí”, assinalou o responsável.

A iniciativa tem como parceira a Rede ‘Cuidar da Casa Comum’, projeto ecuménico que envolve várias instituições, organizações, obras e movimentos católicos e cristãos,

João Luís Fontes, membro da comissão executiva desta rede, realçou que os trabalhos devem ser feitos em rede e com várias sensibilidades.

“Devem estar envolvidas várias denominações e confissões cristãs”, frisou, em entrevista emitida esta segunda-feira no Programa ECCLESIA (RTP 2).

O responsável deseja que se crie “um espaço de diálogo e trabalho em comum entre as várias igrejas e comunidades cristãs”.

Por parte da Igreja Católica, o memorando vai ser assinado pelo presidente Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Ornelas.

A cerimónia acontece pelas 15h00 de sábado, na catedral de São Paulo, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), assinalando ainda o 50.º aniversário do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC).

O programa ‘Eco Igrejas Portugal’ visa a “promoção da ética da sustentabilidade, contida nos princípios eco teológicos do cristianismo e a aplicação nas diferentes Igrejas e comunidades cristãs de indicadores de diagnóstico, educação e gestão ambiental visando uma melhoria continua da sustentabilidade ecológica”.

A ONG ‘A Rocha’ lidera este programa, que tem como parceiros o COPIC, a CEP, a Aliança Evangélica Portuguesa e a Rede Cuidar da Casa Comum/Fundação Gonçalo da Silveira.

Marcial Felgueiras diretor executivo de ‘A Rocha’, sublinha a pertinência de “uma missão cristã dedicada ao ambiente”.

Em Portugal, a ONG procura “levar propostas concretas para a proteção e gestão ambiental” para o terreno e, segundo o responsável, o memorando ecuménico é uma forma de fazer com que “as comunidades cristãs se envolvam” neste compromisso.

João Luis Fontes considera que a encíclica «Laudato Si’, publicada em 2015, e os documentos posteriores do Papa Francisco foram essenciais para a tomada “de consciência ambiental”.

“Isto ganha uma importância nova como espaço de testemunho comum”, acrescenta.

Para o entrevistado, a questão ecológica “não é apenas de moda”, mas está relacionada com “a identidade cristã”.

Os textos bíblicos são um “ponto de encontro” e ajudam a perceber que “a criação é um dom confiado ao homem, mas com a dimensão do cuidado”, disse o elemento da comissão executiva da Rede ‘Cuidar da Casa Comum’.

Em relação ao memorando, Marcial Felgueiras refere que os “critérios são múltiplos”, desde “a gestão de edifícios, os estilos de vida na prática das comunidades cristãs e mesmo nas palestras”.

“A preocupação ambiental está acima de tudo, mesmo naqueles que não acreditam”, disse o diretor executivo de ‘A Rocha’.

No próximo sábado vão ser assinalados também o 20.º aniversário da Lei da Liberdade Religiosa em Portugal e o 20.º aniversário da Carta Ecuménica para a Europa.

HM/LFS/OC

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