Em Portugal a iniciativa foi assinalada pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre com uma jornada nacional de oração

Lisboa, 22 ago 2019 (Ecclesia) – A Organização das Nações Unidas (ONU) assinalou hoje o primeiro ‘Dia Internacional das Vítimas de Violência baseada na Crença ou Religião’, iniciativa reforçada pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre em Portugal com um desafio nacional à oração.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, Catarina Martins de Bettencourt, diretora do secretariado nacional da AIS, salienta que “todos são convidados a rezar pelos cristãos e por todas as vítimas de perseguição religiosa, nas suas paróquias, nas suas comunidades religiosas, e em família”.

“É importante que, através das nossas orações, lembremos os que sofrem e os que, ao longo da História, sofreram perseguição, violência e até a morte apenas por causa da religião, apenas por causa da fé”, frisa a mesma responsável.

A Fundação AIS destaca o facto de “quase 71 anos depois de ter sido publicada a Declaração Universal dos Direitos Humanos”, a ONU vir agora também reconhecer “que os direitos de milhões de pessoas continuam a ser violados todos os dias”.

“É necessário homenagear as vítimas e sobreviventes de todas as religiões que muitas vezes permanecem esquecidos, apesar da mediatização existente no mundo atual”, refere a mesma nota.

A implementação de um Dia Internacional das Vítimas de Violência baseada na Crença ou Religião foi aprovada pela ONU a 28 de maio deste ano.

Na altura, o diretor dos Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Fundação AIS saudou esta decisão, que só “peca por tardia”.

“Até ao momento, a resposta da comunidade internacional à violência com base na religião e à perseguição religiosa em geral pode ser classificada como pouca e demasiado tardia”

Foto AIS

, afirmou Mark Riedemann.

“Esta resolução é uma mensagem e um mandato claros – e todos os dias 22 de Agosto são um lembrete – de que os atos de violência com base na religião não poderão ser e não serão tolerados pela ONU, pelos Estados-membros e pela sociedade civil”, acrescentou.

Vários estudos sobre a questão da liberdade religiosa têm apontado para um agravamento desta realidade nos tempos recentes.

Segundo a Fundação AIS, “há uma clara unanimidade nos principais relatórios produzidos sobre esta matéria, quer pela Comissão dos EUA sobre a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), pelo Pew Research Center, ou pela Ajuda à Igreja que Sofre”.

“Todos esses documentos confirmam um aumento sem precedentes da violência contra os fiéis de praticamente todas as crenças em todos os continentes, sendo os Cristãos aqueles que sofrem maior perseguição”, recorda Mark Riedmann.

A Fundação AIS frisa que só no corrente ano o cenário de perseguição “tem-se revelado dramático para as comunidades cristãs, com ataques sangrentos no Sri Lanka, no Domingo de Páscoa, ou, por exemplo, na Catedral de Jolo, nas Filipinas”.

“A violência contra os Cristãos deixou ainda enlutadas centenas de famílias na Nigéria, com aldeias inteiras a serem alvo da violência extremista”, pelo que “2019 arrisca-se a ser, provavelmente, um dos anos mais dramáticos para os Cristãos nos últimos tempos”, refere a organização católica dependente da Santa Sé.

JCP

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