Talvez, há cinquenta anos atrás, uma ordenação fosse um acontecimento vulgar. A cerimónia donde sairiam quatro padres, quatro diáconos e alguns subdiáconos, assim se chamavam no tempo, e ainda uma dezena de minoristas, hoje ministérios instituídos, poderia ter lugar na capela do Seminário e começar às sete e meia da manhã. Hoje qualquer ordenação comove a diocese e a faz rever-se em júbilo e esperança. É o desejo imenso do povo cristão, ansioso por mais sacerdotes, quando um número já razoável de freguesias se sente sem pastor disponível para atender as suas necessidades religiosas, mormente a missa dominical. Com um clero limitado e bastante envelhecido, um novo sacerdote traz confiança e derrama sobre o futuro um certo optimismo ainda que pequeno. Por isso, a cerimónia marcada para o dia 3 de Julho, a realizar às 16 horas, na sé catedral, onde será ordenado presbítero o Manuel Valente da freguesia de Monte Margarida e diácono o Ângelo Martins, vindo de Almada, e onde serão instituídos acólitos o Rui Manique, da cidade do Fundão e o Gilberto Antunes da paróquia de Almaceda e ainda leitor o Hélder Lopes da vizinha terra de Colmeal da Torre, está já a comover muita gente da vasta diocese e a agitar o íntimo de muitos egitanienses desejosos de competentes ministros da Palavra e da Eucaristia que os sirvam na caridade. Devemos notar, entretanto, que, sem oração – ‘rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe’ – sem um ambiente de respeito e de afabilidade diante dos clérigos, servidores dos divinos mistérios, os jovens, esperança dos dias vindouros, não serão facilmente atraídos para a vida sacerdotal. Como esta só se explica na profundidade da fé e apenas se realiza no concreto de uma existência de devotamento total na caridade, também não será fácil a um rapaz envolvido pelo materialismo ambiente e formado por uma educação egoísta escolher a vocação de servir o altar em proveito dos outros. Daqui, a urgência de sacerdotes ter de representar para os fiéis uma responsabilidade e um compromisso, pois todos estamos cientes de que, sem a prece e o labor apostólico de promover vocações ao sacerdócio quer na formação da juventude quer no apontar este caminho como realização pessoal de vida, os tempos futuros não aparecerão carregados de qualidade para a Igreja que somos. No próximo dia 3, a catedral vai encher-se de gente ansiosa por participar nas ordenações. Será certamente um indício lindo e prometedor, mas não é tudo. O interesse pelos jovens no seu caminhar pelas sendas do espírito, o amor ao seminário e à sua obra fundarão a expectativa de um futuro mais risonho para todos nós. A Guarda
