Maria Joaquina Madeira elogia papel do Papa Francisco na sensibilização para as desigualdades e necessidade de protagonismo dos excluídos

Foto: RR/Miguel Rato

Lisboa, 14 nov 2021 (Ecclesia) – A vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN)-Portugal disse que o país tem uma prática de remunerações “demasiado baixas”, pelo que “não basta ter trabalho para não ser pobre”.

“Isto é uma das situações que nos distingue da maior parte dos países da Europa”, refere Maria Joaquina Madeira, convidada da entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença que é emitida e publicada a cada domingo.

A responsável sublinha que, dos 56% de pessoas dos 18 aos 64 anos em risco de pobreza, cerca de metade tinha um rendimento de 330 euros por mês.

“Não é admissível admitir – que entre nós haja pessoas que vivem com tantas dificuldades que não têm acesso aos direitos básicos”, aponta.

Para a entrevistada, todo o “tecido social” de Portugal precisa de ser revitalizado para “poder elevar o nível de vida das pessoas, de uma forma geral”.

Maria Joaquina Madeira espera que a instabilidade política do país não faça atrasar medidas e subscreve as palavas do Papa Francisco quando diz que a pobreza não é um “fatalismo” e que os pobres devem ser “protagonistas” das soluções.

“Que as próprias pessoas que experimentam os problemas, neste caso o da exclusão e da pobreza, sejam parte das soluções, porque têm um pensamento e são capazes de refletir sobre o tema”, apela.

A conversa abordou a mensagem do Papa para o V Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja Católica assinala este domingo, na qual se alerta para as consequências sociais e económicas da pandemia.

A vice-presidente da EAPN- Portugal fala numa “situação de grande desigualdade” em Portugal e no mundo, onde a “pobreza passa de geração para geração”.

Maria Joaquina Madeira deixa votos de que o combate à pobreza seja mesmo um “desígnio nacional”.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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