Instituição católica já inseriu 50 pessoas no meio laboral

Isaurindo Oliveira
Foto: Agência ECCLESIA/HM

Beja, 13 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Diocesana de Beja (CDB), disse à Agência ECCLESIA que o emprego é o “eixo da promoção social” que a instituição católica desenvolve, na sua ação.

“O emprego é a chave de tudo, ele permite a dignificação da pessoa humana, e para que tal se concretize temos de criar uma relação com os empregadores”, precisa Isaurindo Oliveira, numa entrevista a respeito do IV Dia Mundial dos Pobres, convocado pelo Papa Francisco, que a Igreja Católica celebra este domingo.

O responsável sublinha que o aumento da produção agrícola, associado a uma densidade populacional ainda baixa, permite que a região alentejana não tenha ainda sido atingida pelo aumento do desemprego que se regista noutras regiões, em virtude da pandemia.

“Aquilo que vamos procurando fazer é concretizar os verbos propostos pelo Papa Francisco: acolher, proteger, promover e integrar”, aponta Isaurindo Oliveira.

O serviço de empregabilidade da CDB pretende retirar da pobreza e integrar em meio laboral aqueles que buscam auxílio; são desenvolvidas um conjunto de ações que facilitam o acompanhamento dos desempregados através de um itinerário de inserção personalizado, desenvolvido por tutores com o objetivo de conseguir uma melhoria dos níveis de empregabilidade e oportunidades de acesso ao mercado de trabalho.

O itinerário começa nos diferentes serviços de atendimento social, com particular enfoque nos imigrantes e nas pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, que após uma intervenção inicial, na satisfação das necessidades básicas são enviadas para este serviço.

Ana Soeiro, que coordena o serviço de atendimento e acompanhamento social, dá conta que o apoio económico é o primeiro motivo que leva as pessoas a bater à porta da Cáritas.

Na ocasião é realizado um diagnóstico social que se torna mais revelador.

“Percebemos dificuldades alimentares, dificuldade em encontrar emprego e desestruturação familiar”, relata.

A aposta da instituição católica é quebrar o ciclo da pobreza e da dependência crónica dos apoios sociais; a Herdade da Figueirinha é a concretização deste propósito.

“Para nós é muito gratificante, esta parceria que temos com a Cáritas” reconhece José Gonçalves, responsável operacional que coordena a integração dos novos colaboradores enviados pela Cáritas.

“Já recebemos cinco trabalhadores que se adaptaram bem e são acarinhados por todos”, acrescenta.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Luís Miguel Conceição, um destes trabalhadores, foi durante muitos anos um beneficiário crónico de diversos apoios sociais; agora é um contribuinte e está satisfeito com a nova situação.

“Gosto de tudo o que aqui faço…   jardinagem, ajudo nas oficinas ou pego na moto 4 e vou recolher os panos pelo olival na época da apanha da azeitona”, relata.

O novo emprego permitiu mudar a vida da família.

“Foi a melhor coisa que me aconteceu. Vim aqui com a Cáritas numa terça-feira e no dia seguinte já cá estava a trabalhar. Não tenho nada a apontar e gosto muito do que faço”, assinala Luís Miguel Conceição.

Márcio Pires Foto: Agência ECCLESIA/HM

Márcio Pires, que coordena o serviço de empregabilidade da CDB, reforça a ideia de que a empregabilidade é fundamental para a promoção social.

“Sem ela é impossível promover a dignidade humana, é o que permite ser autónomo, ter habitação, promover a educação dos filhos, ter família e ser feliz”, realça.

Com o Alqueva a tornar o Alentejo mais verde e fértil, também se abrem oportunidades a quem precisa de auxílio.

O programa de empregabilidade a Cáritas já colocou 50 pessoas no meio laboral com contrato de trabalho e com as condições necessárias para quebrar o ciclo da pobreza e se libertarem dos apoios sociais.

A reportagem junto da CDB vai estar em destaque este domingo, na próxima emissão do programa ’70×7′, pelas 17h45, na RTP2, e do programa ECCCLESIA, na Antena 1 da rádio pública (06h00), assinalando o IV Dia Mundial dos Pobres.

HM/OC

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