Casa de São Francisco de Assis, no Patriarcado de Lisboa, ajuda crianças e jovens com medidas de proteção e promoção, pessoas com deficiência cognitiva moderada, famílias refugiadas e crianças em tratamento médico

Foto: Casa de São Francisco de Assis

Lisboa, 13 nov 2021 (Ecclesia) – A diretora-geral e presidente da Direção da Casa São Francisco de Assis, que acolhe  crianças e jovens, pessoas com deficiência cognitiva moderada e famílias refugiadas, disse à Agência ECCLESIA que a principal causa de pobreza é a desestruturação familiar.

“Maioritariamente as famílias monoparentais femininas que chegam a determinado ponto das suas vidas, com empregos precários, falta de apoio, até de vizinhança, de laços, entre pessoas que perdem a sua capacidade parental, contentora e cuidadora das suas crianças e jovens”, explica Maria Teresa Antunes.

Outra diferença apontada pela diretora da instituição do Patriarcado de Lisboa, situada no Concelho de Loures, é a “necessidade de a instituição substituir a família”.

A antiga Casa do Gaiato, instituição fundada pelo Padre Américo a partir da Obra de Rua, há 73 anos, tem acompanhado rapazes, e nos últimos anos raparigas, com diferentes quadros de pobreza, que manifestam mudanças sociais e refletem a forma como as desigualdades e as dificuldades de aceder a uma vida digna, se vai mostrando.

Maria Teresa Antunes dá conta que, no assinalar dos 70 anos da instituição, perceberam que ali tinham passado “1200 processos”, e regista situações de “carência económica, fome” e de uma “mortalidade infantil” com altos índices em Portugal, para respostas de acolhimento a crianças e jovens com medidas de promoção e proteção e abrigo de jovens e adultos portadores de deficiência cognitiva moderada.

Em 2014, não havia no município nenhum lar residencial nem um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). Esta é uma forma de pobreza. O que se faz às famílias que têm filhos integrados em escolas até aos 16 ou 18 e depois, que continuidade existe? Falamos de famílias que vivem no limiar da pobreza, que têm de deixar um trabalho para cuidar de um filho, (numa situação que) acaba por criar grandes impactos. Ainda existem poucas respostas e são extremamente necessárias”.

Foto: Casa de São Francisco de Assis

Para além do CAO, a Casa de São Francisco de Assis tem um Lar Residencial que acolhe atualmente 15 utentes, jovens e adultos, com deficiência cognitiva moderada.

“Temos muitos pedidos de pessoas que cresceram com os pais, mas a sua família, está a envelhecer e a perder capacidades e não aparece nada que as suporte. Estas realidades estão escondidas”, lamenta a responsável.

Maria Teresa Antunes sublinha a necessidade de maiores respostas sociais nesta área mas também a consciência da sociedade para uma realidade existente e próxima.

“Deve existir a consciência de que estas situações acontecem no meu prédio e que as pessoas são de muito fácil e gratificante relação, e são muito válidas, dando contributos para a sociedade. Queremos, no pós-pandemia, sensibilizar algumas entidades para as integrar em atividades socialmente úteis, para que se sintam parte integrante da sociedade, que o trabalho tem tanto valor como qualquer um”, manifesta.

Desde 2014, a antiga Casa do Gaiato passou por um processo de refundação, ficando sob tutela do Patriarcado de Lisboa, e procurou estar disponível para desafios que eram colocados, quer de entidades parceiras, da comunidade local, mas também da sociedade, nomeadamente, o acolhimento aos refugiados.

“Foi uma resposta pensada para crianças acompanhadas de mães refugiadas como resposta ao apelo que o Papa nos fez. Tivemos refugiados de guerra, vindos da Síria e do Iraque, e depois, na sequência das alterações climáticas e de países muito pobres, começamos a receber da Libéria, da Costa do Marfim”, conta.

A responsável lamenta que, apesar dos crescentes pedidos, “inclusivamente da Segurança Social”, para acolher pessoas refugiadas e crianças para receber tratamento médico em Portugal, não exista um reconhecimento das necessidades paralelas que as famílias apresentam, sublinhando que “o Estado esquece as mães”.

Este alinhamento entre a necessidade e o seu reconhecimento da necessidade, e o passo para apoiar o que é necessário, falta. Sinto isto claramente, na Casa Mundo, e nas situações que já nos surgem de doença mental para os jovens até aos 18 anos”.

Apesar das dificuldades, Maria Teresa Antunes fala numa “obrigatoriedade” que liga a Casa de São Francisco de Assis a uma “identidade” que os leva a procurar dar resposta “a qualquer situação que bate à porta”.

“Qualquer situação que nos bate à porta de pobreza extrema, de carência, se não respondermos é negar a identidade, é não nos interpelar para uma resposta. Todos os passos que demos, mesmo arriscados, acabaram por ser apoiados e reconhecidos”, resume.

As respostas sociais que a casa de São Francisco de Assis providencia no combate à pobreza vão estar no centro do programa ’70×7′ que é emitido este domingo, V Dia Mundial dos Pobres, na RTP2, pelas 18h30.

O Dia Mundial dos Pobres celebra-se anualmente no penúltimo domingo do ano litúrgico, antes da solenidade de Cristo-Rei, e foi convocado, pela primeira vez, pelo Papa Francisco, em 2017; este ano, tem como tema ‘Sempre tereis pobres entre vós’, inspirado numa passagem do Evangelho segundo São Marcos (Mc 14, 7).

LS

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