Organização manifesta «preocupação» com a falta de «solidariedade internacional» para acolher refugiados

Cidade do Vaticano, 20 jun 2022 (Ecclesia) – A Caritas Internationalis, organização da Igreja Católica, alerta que a “dignidade e os direitos de todos os deslocados não podem ser ignorados”, no contexto do Dia Mundial do Refugiado 2022, que se assinala esta segunda-feira, 20 de junho.

“Toda pessoa tem o direito fundamental de procurar e desfrutar de asilo”, afirma a organização internacional num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

A Caritas Internationalis, no âmbito do Dia Mundial do Refugiado, que se comemora esta segunda-feira, está a “levantar a sua voz “ e a manifestar “preocupação com a falta de solidariedade internacional” em acolher refugiados e pessoas que solicitam asilo.

“Os apelos por segurança e por uma vida digna para os refugiados, na sua maioria, permaneceram inaudíveis, e a Caritas Internationalis não ficará surda ao clamor dos pobres do nosso mundo nem ficará calada sobre sua situação e a sua resiliência na reconstrução das suas vidas”, acrescenta.

Segundo a organização da Igreja Católica, a segurança, a dignidade e os direitos humanos dos requerentes de asilo estão também em risco por causa dos acordos que “criaram muros físicos e legais” através da externalização de controlos regionais de fronteira e processos de asilo terceirizados (outsourced).

Mais de 100 milhões de pessoas foram deslocadas à força em todo o mundo devido a perseguição, conflito, violência ou violações de direitos humanos e desastres climáticos, nos primeiros meses de 2022, “os níveis mais altos de deslocamento já registrados”.

Neste contexto, a Cáritas Internacional observa que hoje esses fatores se tornam causas de deslocamentos e “não podem ser considerados separadamente”; Entre 2019 a 2021, mais de 8436 migrantes, incluindo requerentes de asilo, perderam a vida, e 5534 migrantes desapareceram em trânsito.

O comunicado exemplifica que os membros da Confederação da Caritas da Europa, Médio Oriente e África ajudaram requerentes de asilo ​que fogem de conflitos e violência, para chegar a “destinos seguros e comunidades acolhedoras onde podem recomeçar suas vidas”, com outras organizações religiosas, através de corredores humanitários, defenderam o resgate e o desembarque seguro de pessoas em risco de vida no Mediterrâneo e em todo o mundo.

A Cáritas também apoia pessoas que vivem longos períodos em ambientes precários, como campos de refugiados, e as Caritas do Sudão do Sul e do Uganda são “particularmente ativas” em campos de refugiados e deslocados internos com programas educacionais e distribuição de parcelas de terra para que os refugiados possam voltar a viver do seu trabalho, em colaboração com o ACNUR – o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Na Jordânia, que acolhe 83% dos refugiados sírios, a organização da Igreja Católica está a trabalhar com o governo para “encontrar soluções humanitárias sustentáveis” ​​para estas vítimas da guerra.

A Cáritas Internationalis recorda que o direito fundamental de procurar e usufruir asilo noutros países está consagrado no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de acordo com a Convenção de 1951.

CB

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