Sacerdote diz que experiência de sofrimento tornou o seu ministério «mais rico»

Foto: Agência ECCLESIA/ MC – padre Vítor Feytor Pinto

Lisboa, 10 fev 2020 (Ecclesia) – O padre Vítor Feytor Pinto, antigo responsável nacional pela Comissão da Pastoral da Saúde, disse à Agência ECCLESIA que a experiência de sofrimento tornou “mais rico” o seu sacerdócio.

Em entrevista por ocasião do Dia Mundial do Doente, que a Igreja Católica celebra anualmente a 11 de fevereiro, o sacerdote recordou que em outubro de 2018 esteve às portas da morte, sentindo a experiência de uma “espiritualização” do sofrimento.

“O exercício do meu sacerdócio, hoje, é muito mais rico depois desta experiência, muito forte, muito violenta”, confessa.

O entrevistado, que foi professor de Ética e Alto Comissário para o Projeto Vida, entende que “o sofrimento faz parte da vida”.

“Digo mais, o sofrimento, por vezes, tem vantagens, tem valores, porque nos permite, pela esperança, o desafio da ultrapassagem: queremos vencer o sofrimento”, acrescenta.

Quase a completar 88 anos de idade, lembra o momento em que sobreviveu a uma septicemia: “Quando me apercebi, pus-me nas mãos de Deus e julgo que não senti mais nada”.

Após sair do hospital, passou por uma fase “impressionante”, em que não conseguia manter-se de pé, indo viver para a Casa Sacerdotal do Patriarcado de Lisboa.

“Esse ambiente de carinho enorme também me recuperou”, assinala.

O antigo pároco do Campo Grande, em Lisboa, defende que é preciso aprender a “serenar” no meio do sofrimento, mesmo quando a perspetiva é definitiva.

“A morte é apenas uma porta: do lado de cá está um limite da natureza, não é um castigo de Deus, é um limite da natureza. Do lado de lá, está a ternura maravilhosa de Deus, que nos acolhe”, observa.

Sei que do lado de lá está a misericórdia de Deus”.

Na mensagem para Dia Mundial do Doente 2020, o Papa reforça a sua oposição a projetos de legalização da eutanásia.

Dirigindo-se aos profissionais de saúde, Francisco pede que a sua ação vise “constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer cedência a atos de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem sequer se for irreversível o estado da doença”.

A entrevista ao padre Vítor Feytor Pinto está no centro das emissões do Programa Ecclesia na Antena 1 da rádio pública, de segunda a sexta, às 22h45.

LS/OC

Mensagem do Papa Francisco para o XXVIII Dia Mundial do Doente

 

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