Campanha «Primeiros Anos a Nossa Prioridade» alerta para a necessidade de mudar «políticas e práticas» sobre o tempo em que as crianças são «uma esponja»

Lisboa, 01 jun 2021 (Ecclesia) – Duas dezenas de entidades estão a promover a campanha “Primeiros Anos a Nossa Prioridade” para alertar para a importância dos primeiros 1000 dias de vida, um “período educativo” que constitui uma “oportunidade de ouro” para a “estruturação da pessoa”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, a administradora executiva da Fundação Nossa Senhora do Bom Sucesso, que está na origem da campanha, em Portugal, afirma que “o período de creche é um período educativo, não é só um período social” e alerta para a necessidade de aproximar “práticas e políticas” do conhecimento científico sobre os primeiros três anos de vida.

“Em Portugal ainda temos creches por necessidade social, porque os pais trabalham os dois. Ainda não reconhecemos, como país, que entre os zero e os três anos há um trabalho educativo que se faz que é fundamental, porque a criança é uma esponja”, disse Paula Nanita.

A campanha “Primeiros Anos a Nossa Prioridade” é desenvolvida por uma rede nacional de duas dezenas de instituições públicas, privadas e do setor social e realiza-se no contexto da campanha europeia “First Years First Priority”.

Em entrevista emitida esta segunda-feira no programa Ecclesia, na RTP2, Paula Nanita disse que é necessário colocar nas “rodas de amigos” o tema da importância dos primeiros anos na formação da pessoa, que têm “efeitos na saúde ao longo da vida”, na escolaridade e na empregabilidade.

“Não é só porque são engraçadas que as crianças merecem a nossa atenção. É porque ali se joga a sua estruturação e os seus fundamentos como pessoa”, afirmou.

A administradora executiva da Fundação Nossa Senhora do Bom Sucesso disse que a “pandemia não veio facilitar nada” ao desenvolvimento desta campanha de valorização dos primeiros 1000 dias de vida, onde se estrutura 80% do cérebro das pessoas.

As relações de qualidade com os cuidadores fundamentais são absolutamente críticas para essa estruturação e temos ainda políticas e práticas que não reconhecem isto”, afirmou Paula Nanita.

Na análise à importância dos primeiros anos no desenvolvimento da pessoa, Dulce Rocha, presidente da direção do Instituto de Apoio à Criança (IAC), uma das duas dezenas de instituições que constitui a rede de promoção da campanha, alertou para o desenvolvimento de “uma prática que não correspondem ao reconhecimento da ciência”.

“Cada vez se sabe mais sobre os primeiros anos de vida. O IAC nasceu como grande defensor do investimento na intervenção precoce necessária para que as crianças fossem felizes e dessem origem a adultos felizes”, afirmou Dulce Rocha.

A presidente do IAC considera que a crise não deve levar a desinvestir na educação das crianças e alerta que o “Estado vai pagar muito caro tudo aquilo que não fez”.

“Temos consciência que quanto mais cedo as crianças beneficiarem de uma aprendizagem, as crianças ficarão com uma capacidade superior para mais tarde terem  competências que lhe vão servir para toda a vida”, lembrou Dulce Rocha.

A campanha europeia de promoção e desenvolvimento infantil “First Years First Priority” e é promovida, em 2021, por nove países, incluindo Portugal.

PR

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