Falta de acesso dos mais pobres aos recursos hídricos e contaminação da água são preocupações constantes

Cidade do Vaticano, 22 mar 2018 (Ecclesia) – O Vaticano recorda hoje a celebração do Dia Mundial da Água, um tema que tem estado nas preocupações do Papa, para quem este é um bem essencial para o futuro da humanidade.

“A defesa da terra, a defesa da água, é a defesa da vida”, escreveu, na sua conta ‘@pontifex’, na rede social Twitter.

Francisco tem alertado para a possibilidade de uma “guerra mundial” por causa dos recursos hídricos, defendendo que a água é um direito “vital” de cada pessoa.

“Pergunto-me se nesta terceira guerra aos bocados estaremos a caminho da grande guerra mundial pela água”, assinalou em 2017, num encontro dedicado ao ‘direito humano à água’, na Academia Pontifícia das Ciências (Santa Sé).

“Mil crianças morrem todos os dias – mil, todos os dias – por causa de doenças ligadas à água, milhões de pessoas consomem água contaminada”, acrescentou.

A encíclica ecológica ‘Laudato Si’, de 2015, dedica um ponto específico à “questão da água”, no qual o Papa recorda que “a pobreza da água pública” se verifica especialmente na África, onde “grandes sectores da população não têm acesso a água potável segura”.

“Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas”, alertava Francisco.

A encíclica manifestava a oposição da Igreja à “tendência para se privatizar” a gestão da água, como se esta fosse uma “mercadoria sujeita às leis do mercado”.

“Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos”, escreve.

Em novembro de 2014, durante uma visita à sede da FAO, o Papa deixou um alerta: “A água não é grátis, como pensamos tantas vezes. Será o grave problema que poderá levar-nos a uma guerra”.

Em Portugal, a Comissão Nacional Justiça e Paz abordou em novembro de 2017 a situação de seca que tem afetado o país, apelando ao envolvimento de todos na preservação de “um bem precioso” que se está a tornar “raro à medida que continuam as agressões do ser humano” à natureza.

O organismo católico pede “um olhar global” para o problema da falta de água, que advém das agressões ao planeta.

“Governo, responsáveis autárquicos e especialistas nesta matéria têm o diagnóstico feito. Algumas medidas de recurso têm sido tomadas. A sociedade civil está alertada para o facto de que temos de repensar e refazer o nosso estilo de vida: poupar, racionalizar e partilhar, reutilizar a água de que dispomos”, refere a CNJP.

O Dia Mundial da Água, instituído há 26 anos pelas Nações Unidas, é assinalado hoje em Brasílica por chefes de Estado, ministros e especialistas, no Fórum Mundial da Água.

Já sede da Assembleia Geral das Nações Unidas, a jornada é assinalada com uma sessão em que será lançada a Década para a Ação – Água para o Desenvolvimento Sustentável 2018-2028.

OC

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