Dia do Pai: é importante estar lá

O amor, a unidade e a estabilidade. A figura do pai, nas famílias de hoje, deve assegurar estas premissas para contribuir, efectivamente, para o pleno desenvolvimento de todo o lar. A posição, que esteve presente no discurso do Papa durante a última audiência geral, é explicada à Agência ECCLESIA pelo Pe. Duarte da Cunha, director do Instituto de Ciências da Família da UCP: “A unidade da família, no casamento, é uma força enorme para a estabilidade afectiva e emocional dos filhos. O primeiro que se pode pedir a um pai é que o seja de coração, porque não há nenhum modelo único para se ser bom pai”, afirma. Na última quarta-feira, João Paulo II quis deixar uma mensagem especial aos pais do nosso tempo: “só numa família autêntica, unida duradouramente e cheia de amor podem os filhos atingir uma sã maturidade”. Aqui, vai-se para além da presença: “a gente hoje critica muito o pai ausente, mas tão importante como a sua presença é que as crianças tenham a certeza de que o pai e a mãe gostam muito um do outro”, vinca o Pe. Duarte da Cunha. A observação, aparentemente óbvia, ganha valor quando se percebe que nos últimos 10 anos o número de divórcios mais do que duplicou e o número de casamentos reduziu em 20%. Não é só a instituição familiar que tem vindo a mudar nos últimos tempos, mas a própria figura e responsabilidade paternal. Por isso mesmo, não surpreende que sejam muitos os que procuram ajuda para os novos desafios. “O número de escolas de pais cresceu imenso, procura-se estimular uma presença cada vez maior do pais junto dos filhos, e acho que se sente mesmo uma grande necessidade de aprendizagem”, refere. Este responsável tem consciência de que estes “novos pais” ainda são a excepção, com muitos a ficarem no local de trabalho até depois das 21h00 ou a não gozarem a licença de paternidade, mas não condena ninguém. “O trabalho, para a classe média, ocupa muitas horas; na classe média-baixa ocupa muito tempo em transportes. Não há dúvida de que os pais portugueses estão pouco presentes e somos dos países da Europa com menos horas para dedicar à família”, constata. “Não pode haver tempo de qualidade se não houver quantidade de tempo”, acrescenta. A recente discussão em torno da legislação sobre o aborto veio demonstrar que a gravidez ainda é entendida como um “exclusivo” da mulher. “Começa-se a falar mais da figura do pai, embora o aumento de filhos fora do casamento torne a mesma menos visível. Estou convencido, contudo, de que a nossa sociedade tem de caminhar para a responsabilização do pai desde o momento da concepção”, afirma o Pe. Duarte da Cunha. Notícia relacionada • Dia do Pai

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