Desde há 105 anos que a história da Igreja em Portugal não pode ser estudada sem uma referência ao Colégio Português. Encontram-se antigos alunos do Colégio em todos os campos, sobretudo na formação do Clero, seminários, ensino universitário, apostolado dos leigos, vida pastoral e cultural. Onde o Colégio Português teve maior incidência foi na Hierarquia de Portugal, com dezenas de bispos diocesanos, além dos que presidem a dioceses em Angola, Moçambique, Goa e Macau. 1. No dia 15 de Outubro o Pontifício Colégio Português de Roma comemorou 105 anos da sua fundação, 30 anos da abertura do novo edifício na Via Nicoló V, 3 e da presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, e presta homenagem aos antigos reitores. A diocese do Funchal teve uma relação muito forte com o Colégio Português, tendo contribuído com três reitores – Mons. Teodósio Clemente de Gouveia (1934-36), Vice-Reitor (1929-34); D. Teodoro de Faria (1976-82), Vice-Reitor (1967-76); Padre José Tolentino Calaça de Mendonça (2001-2002). Vários sacerdotes diocesanos foram enviados a estudar em Roma, sendo os primeiros Cón. Manuel Gomes Jardim em 1905, Cón. Francisco Fulgêncio de Andrade em 1909, Padre Angelino de Sousa Barreto em 1928, Cón. Agostinho Gonçalves Gomes (1934), Padre Joaquim da Mata em 1936, Padre José Maurício de Freitas (1942), Padre Jorge de Freitas e Padre Orlando Moisés de Freitas Morna (1945), e depois do pedido de Pio XII para as dioceses enviarem ao menos dois sacerdotes, D. Maurílio Jorge Quintal de Gouveia e D. Teodoro de Faria (1957), Padre Abel Augusto da Silva e João Arnaldo Rufino Silva (1958), Padre Sidónio Gomes Peixe (1960), D. Manuel Ferreira Cabral (1962), Cón. Agostinho Figueira Faria (1965), continuando esta tradição até aos nossos dias, actualmente com dois alunos o Padre Marcos Gonçalves e Padre Giselo Andrade. 2 – A criação do Colégio Português em Roma, nasceu de uma ideia laical. Antes da sua criação algumas dioceses enviaram estudantes para outros Colégios romanos principalmente para o Capranica. A 28 de Abril de 1898 reuniu-se em Roma a Comissão promotora para o novo Colégio, nos aposentos dos Viscondes de São João da Pesqueira, estando estes dispostos a proporcionar os meios necessários para a fundação e, em 1900, perante o Papa Leão XIII, tomaram o compromisso de deixar o capital necessário para assegurar o futuro da casa. Os Viscondes conheceram no Porto a beata Maria do Divino Coração que lhes assegurou ser vontade do Coração de Jesus a criação deste Colégio em Roma. O Comendador António Braz, que vivia na cidade de Roma, teve um sonho e ideou esta obra providenciando para que Portugal possuísse um colégio como os outros países europeus. Nascido em Braga em 1816 foi estudar Belas Artes e Matemática em Roma, tendo ali casado e estabelecido definitivamente. O Visconde da Pesqueira visitou todos os bispos portugueses nas suas dioceses, pedindo para enviarem alunos a estudar em Roma, tanto mais que o Santo Padre aprovava esta iniciativa. Os primeiros alunos foram alojados numa Casina de Vila Borghese, obra de Rafael, passando depois a viver no palácio Alberini, junto ao castelo de Sant’Angelo, casa doada pelo Papa Leão XIII. Após algumas adaptações os alunos deram entrada na sua residência no ano lectivo (1900-1901). Todos os Papas mostraram grande solicitude e amizade por esta casa de formação sacerdotal. Pio X recebeu os Condes da Pesqueira, superiores e alunos, acompanhados pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. Bento XV condecorou os Viscondes da Pesqueira com a Ordem do Esporão de Ouro. Pio XI recebeu por duas vezes os superiores e alunos e benzeu a imagem de Nossa Senhora de Fátima que se encontra no Colégio, primeiro gesto de um Papa a favor das aparições da Cova da Iria. Pio XII, nos 50 anos da fundação do Colégio, recebeu em audiência os superiores e alunos. João XXIII, por ocasião dos 80 anos ofereceu ao Colégio uma bela casula. Paulo VI fica ligado ao Colégio pela construção da nova sede. João Paulo II visitou o Colégio, rezou vésperas e tomou uma refeição com os alunos e antigos reitores. Bento XVI, como Prefeito da Congregação da Fé, visitou-o particularmente várias vezes, para repouso e meditação. 3 – Desde há 105 anos que a história da Igreja em Portugal não pode ser estudada sem uma referência ao Colégio Português. Encontram-se antigos alunos do Colégio em todos os campos, sobretudo na formação do Clero, seminários, ensino universitário, apostolado dos leigos, vida pastoral e cultural. Onde o Colégio Português teve maior incidência foi na Hierarquia de Portugal, com dezenas de bispos diocesanos, além dos que presidem a dioceses em Angola, Moçambique, Goa e Macau. Também dioceses estrangeiras, principalmente nas últimas duas décadas, agradecem ao Colégio a formação de muitos sacerdotes, tanto da África e Ásia, como da Europa e América Latina, a pedido dos bispos diocesanos ou da Congregação da Propaganda da Fé. Alguns deles são bispos diocesanos Grande parte dos católicos portugueses desconhece a importância do Colégio para a vida da Igreja em Portugal, embora não tenham faltado sacerdotes e leigos que manifestaram a sua simpatia e ajuda. Para a construção da nova sede, Deus concedeu um grande benfeitor, a Diocese de Colónia, na Alemanha, através do Senhor Cardeal Joseph Hoeffner. O Colégio não pode esquecer a acção generosa e dedicada das religiosas que se tomaram todos os serviços domésticos, litúrgicos e sociais desta casa de formação sacerdotal. As primeiras religiosas que desempenharam estas funções foram as filhas de São José, Instituto fundado pelo beato Clemente Marchisio, seguindo-se em 1938 as Irmãs de São José (de Chambéry) que durante três dezenas de anos serviram os estudantes portugueses com a maior dedicação. A 4 de Outubro de 1975 entraram ao serviço do Colégio as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias que, até hoje, têm demonstrado uma dedicação e simplicidade que faz pare do património espiritual da sua Fundadora, Mary Jane Wilson. A primeira superiora foi a Irmã Irene, hoje depauperada de forças mas rica de méritos, que deixou no Colégio a imagem da bondade, serviço desinteressado, bom gosto e o amor a Deus e à Santa Liturgia. Hoje, como em 1957, podemos afirmar o que Pio XII disse aos superiores e alunos do Colégio: «O espectáculo consolador de tanto bem, por mercê de Deus realizado, obriga a levantar os olhos e o coração ao Céu, para bendizer, louvar e render infinitas graças ao supremo Autor e Dador de todo o bem…» Funchal, 16 de Outubro de 2005 †Teodoro de Faria, Bispo do Funchal

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