Bibliotecário e arquivista da Santa Sé apresentou o espaço do Vaticano que começou com 150 volumes e tem hoje 80 mil livros manuscritos e 1,6 milhões de obras impressos

Foto Agência ECCLESIA/PR, intervenção de D. José Tolentino Mendonça na Capela do Rato, em Lisboa

Lisboa, 16 mai 2019 (Ecclesia) – D. José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, afirmou hoje, em Lisboa, que uma biblioteca é uma “farmácia da alma” e as palavras são “remédios” para a humanidade.

“As mulheres e os homens vão sempre encontrar na palavra humana remédios que só encontram nesse lugar para a doença incurável que é a própria vida e a nossa humanidade”, afirmou o arcebispo madeirense no encerramento do curso de ‘Filosofia, Literatura, Espiritualidade’, promovido pela comunidade da Capela do Rato.

Para D. José Tolentino Mendonça, o século XXI vai fazer ressurgir a centralidade das bibliotecas, hoje “olhadas mais como museus e depósitos do passado e não grandes centros de conhecimento”.

“A palavra é o elemento capaz de explicar o humano, tem um poder curativo”, referiu o bibliotecário e arquivista da Santa Sé, acrescentando que “há discursos que curam as enfermidades”.

D. José Tolentino Mendonça sublinhou o valor das bibliotecas, considerando-as “santuários no meio da cidade” que é necessário visitar e frequentar, onde se encontram volumes com “palavras indispensáveis para escrever a história, para iluminar o pensamento”.

“Somos animais de palavra e sabemos, por nós próprios, que a palavra não é apenas uma palavra”, afirmou, acrescentando que a palavra é um sopro da “identidade profunda”, um “instrumento de relação”, e um “dicionário” que descreve cada pessoa.

“Na aventura da construção da nossa humanidade, a palavra tem um lugar fundamental, explica o sentido da vida, do amor”, afirmou o arcebispo português.

Para bibliotecário e arquivista da Santa Sé, “pensar uma biblioteca é pensar no que é uma palavra”.

D. José Tolentino Mendonça referiu-se depois à Biblioteca Apostólica Vaticana e aos “tesouros absolutamente incalculáveis” que estão nos 50 quilómetros de estantes, onde um “tesouro não menor são as pessoas” que colaboram neste setor da Santa Sé.

A “farmácia da alma” que é dirigida pelo arcebispo português tem 80 mil livros manuscritos, 1,6 livros impressos, 100 mil impressões (estampas e gravuras) e 350 mil moedas e medalhas.

“A Biblioteca Apostólica Vaticana dá-nos uma raiz”, sublinhou o arcebispo português na intervenção de conclusão do curso de ‘Filosofia, Literatura, Espiritualidade’, que decorreu na comunidade da Capela do Rato, desde o dia 21 de janeiro.

PR

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