Encontro de referentes do setor reflete sobre novas tendências, protagonistas, problemas e formas de existir da cultura na sociedade portuguesa

Fátima, 27 jan 2018 (Ecclesia) – O escritor e crítico líterário Pedro Mexia disse hoje que dialogar com o mundo não significa ceder a modas ou a novidades e que a “inflexibilidade” apenas gera “auto-satisfação” e não evangeliza.

“É um péssimo ponto de partida. Não é um concurso de popularidade, nem (se trata de) embarcar em modas ou novidades. Trata-se de viver no mundo, tal como ele existe, com os comportamentos e ideias das pessoas e dialogar com isso”, afirmou o assessor cultural da presidência da República durante o encontro de referentes do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que decorre hoje em Fátima.

A iniciativa, anual, pretende congregar os agentes que em cada diocese promovem e refletem a cultura, sendo simultaneamente um momento de partilha do trabalho e de reflexão conjunta.

“A inflexibilidade pode gerar auto-satisfação mas do ponto de vista evangelizador não me parece muito útil”, afirmou à Agência ECCLESIA Pedro Mexia, convidado do encontro, referindo-se à importância de momentos geradores de aproximação e lamentando a sua escassez.

“Os passos para o diálogo são muito importantes. Sente-se que nem sempre esse trabalho é feito, mas quando é realizado os frutos são imediatos”, indica ao recordar o encontro do Papa Bento XVI com o mundo da cultura, por ocasião da sua visita a Portugal em maio de 2010.

“Mesmo os artistas que supostamente não teriam interesse no diálogo, quando solicitados, comparecem. Isso é um grande incentivo para que se promovam estes encontros”, reconhece.

O diretor do Secretariado Nacional da pastoral da Cultura apelava a um “novo pacto criativo” com a cultura sem “o medo e a sobranceria mas num espírito de abertura e afirmação”, sublinhando o “diálogo em dueto e não o duelo”.

José Seabra Pereira apontava à Agência ECCLESIA a importância do encontro dos referentes da pastoral da cultura, com um “número crescente de dioceses” numa altura em que se refletem “novas tendências, protagonistas, problemas e formas de existir da cultura na sociedade portuguesa”.

O responsável afirmava a necessidade de as iniciativas culturais promovidas pela Igreja, na sua realidade diocesana, ganharem “ressonância e visibilidade na esfera pública”.

“É bom que haja conhecimento mútuo, estimulação e interação no espaço público”, valorizava o responsável.

Para D. João Lavrador, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, os cristãos devem ter consciência da sua ação na transformação cultural, em especial, quando esta “infringir a dignidade humana”.

“A dimensão cultural é fundamental para uma vida equilibrada de cada um, e temos o dever e o direito de interferir nesta cultura. Se ela tem particularidades que vão infringir a dignidade humana, pertence aos cristão, através do Evangelho, transformar essa cultura”, sublinhava à Agência ECCLESIA.

Para o responsável episcopal este é um trabalho “silencioso, desprendido, mas muito necessário nas dioceses”.

D. João Lavrador assinala assim a importância de alargar a rede de referentes para uma “cultura mais cristã”.

“Queríamos, por isso, alargá-lo para que os referentes pudessem agregar a si quem estivesse a trabalhar neste domínio, quem queira ler a cultura e interferir nela através do humanismo cristão. Fazer uma rede para uma cultura mais cristã”.

HM/LS

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