Diretor da Livraria do Diário do Minho, diretor editorial da Paulus e responsável editorial da Paulinas Editora conversam sobre o impacto da pandemia nas editoras

Lisboa, 05 jun 2020 (Ecclesia) – O padre Tiago Freitas, diretor da Livraria do Diário do Minho, afirma a necessidade de regressar aos “antigos livreiros”, aqueles que “aconselham bons livros”, que ajudam “a fazer sentido” no atual momento e “na vida do leitor”.

“É quase um contrassenso o que vivemos: o livro deve ser tocado sem luvas, é para ser tocado e apreciado. Há, claro, uma preocupação pela saúde pública, temos cumprido todos os requisitos, mas não há tanto a possibilidade de as poucas pessoas que vão percorrendo os corredores da livraria, os tocarem. É altura para reforçar a identidade do livreiro, aquele que pode aconselhar um bom livro”, explica à Agência ECCLESIA o também diretor do Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga.

A ‘Conversa na Ecclesia’, desta sexta-feira, convocou o diretor editorial da Paulus, o irmão Tiago Melo e também a responsável editorial da Paulinas Editora, a irmã Eliete Duarte, que reforçou o prazer descrito pelo padre Tiago Freitas ao aconselhar um bom livro.

“Tive essa experiência ao telefone, há alguns dias, ao apresentar o conteúdo a quem ligou a pedir um livro e acabou por levar cinco. Temos de voltar aos antigos livreiros, que conheciam um livro por inteiro, sabiam apresentá-lo e uma pessoa, mesmo que não quisesse, o levava, convencida”, indica a religiosa.

O responsável editorial da Paulus recorda o quão difícil foi em março lidar com o “choque” de fechar tudo e o que sentiram com o cancelamento das publicações.

“Tivemos de baixar muito as publicações: em abril publicamos um, em maio publicamos dois, em junho, apesar de as livrarias estarem já abertas, o fluxo está muito lento. É difícil lançar uma novidade e não ter a força para poder apresentar, depois, o conteúdo”, lamenta.

O irmão Tiago reforça o objetivo da Paulus, que partilha com a Paulinas editora a vocação de comunicação e o fundador da congregação, o padre Tiago Alberione, de “ajudar a criar uma cultura de leitura”.

O sacerdote da arquidiocese de Braga lembra que o livro é um bem essencial, por isso taxado pelo Estado em 6% de IVA.

“Quando se foi para casa, as pessoas foram à procura dos bens primários para o seu bem-estar. Mas há um bem essencial para o nosso bem-estar, que se relaciona com o que somos e também enquanto sociedade. Estar em casa, para quem não esteve em tele-trabalho ou em regime de lay-off, passou a ser vivido com um excesso de tempo, e este período que nos foi oferecido terá de ser bem gasto”, indica.

A irmã Eliete traduz esse investimento no catálogo que procuram propor, indo ao encontro do que o público quer, mas propondo outros títulos que “ajudem as pessoas a pensar o seu tempo”.

“A cultura, a arte e o apreço por ela, encarando-a não como um bem de luxo, mas essencial, que nos ajuda a perceber o nosso lugar na sociedade e também quando estivermos em relação com os outros, quando sairmos para a rua”, reforça o padre Tiago Freitas.

O irmão Tiago Melo apresenta a Feira do Livro, agendada para Lisboa, entre os dias 27 de agosto e 13 de setembro, como a “paróquia”, a sua “parcela de Igreja”.

“Para além dos leitores que já frequentam as livrarias, ali é a festa do padroeiro. Estar em contacto com o público, apresentar novidades, é muito importante, porque é vocacional”, indica.

A responsável das Paulinas reforça a esperança de no espaço anual da Feira do Livro poder fazer “a grande festa do livro”, no encontro entre “leitores e autores”.

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem objetivo de partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetiva culturais.

LS

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