«Jovens irão ver as suas vidas andar, ainda mais, para trás», considera Juventude Operária Católica

Lisboa, 14 set 2012 (Ecclesia) – A Juventude Operária Católica (JOC) criticou hoje as novas medidas de austeridade apresentadas pelo Governo e atacou a sujeição de Portugal aos organismos financeiros internacionais, tendo também sublinhado que os católicos devem ser reivindicativos.

A JOC “está profundamente chocada” com o plano anunciado pelo Executivo de Pedro Passos Coelho porque a “resposta para a grave conjuntura económico-social do país passa pela promoção do crescimento e não, como se tem insistido, por mais austeridade injusta e desonesta”, refere uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.

“A diminuição dos salários conduzirá ao empobrecimento da população que, por sua vez, provocará a falência de mais empresas e o aumento do desemprego”, pelo que “não há compreensão possível” para as medidas.

O organismo católico não acredita que o crescimento de sete pontos percentuais na contribuição mensal dos trabalhadores para a Taxa Social Única (de 11 para 18%) tenha como objetivo “salvar” o sistema de Segurança Social.

Os responsáveis consideram que o aumento vai servir para “o pagamento da dívida provocada pela governação, administração e gestão pública danosa de anos, baseada na lei do interesse próprio e da corrupção”.

“Os jovens irão ver as suas vidas andar, ainda mais, para trás”, dado que a subida dos descontos para o sistema previdencial do Estado vai afetar os “falsos trabalhadores independentes”, pagos com recibos verdes, “condição de trabalho, já por si, completamente precária e intolerável”.

Depois de referir que a austeridade se deve à necessidade de os portugueses ficarem “bem vistos” no mundo, o documento vinca que “por mais importante que seja a causa da União Europeia, há valores supremos que devem estar bem presentes e ocupar o seu devido lugar, nomeadamente, o valor da dignidade humana, do respeito, do amor por todos e sobretudo pelos mais pobres e fragilizados”.

Aos cristãos não basta “apregoar o quão injustas, desonestas e revoltantes” são as medidas de austeridade, sustenta o movimento.

“É preciso que cada um de nós, como cidadão, assuma uma postura ativa, reivindicativa e construtiva e una esforços com colegas de trabalho, de profissão, de bairro ou de paróquia no sentido de procurar transformações a nível local”, assinala o comunicado.

A JOC chegou a Portugal em 1935, 10 anos depois de ter surgido na Bélgica por iniciativa do padre Joseph Cardijn, que assumiu como missão “a libertação dos jovens trabalhadores”.

RJM

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