Angra, Açores, 28 mar 2020 (Ecclesia) – Os ranchos de romeiros tiveram de cancelar a tradição, que, na Quaresma, enche as ruas da ilha de São Miguel, e foram convidados, pelo diretor espiritual do movimento, a “servir” de outras formas.

“Este ano, as nossas romarias foram canceladas mediante as normas do Estado de Emergência e para a segurança de todos. Não foi uma decisão fácil de tomar pelo Grupo Coordenador, mas foi a melhor decisão face ao momento presente”, escreveu o diretor espiritual, padre David Barcelos, no site da diocese.

O sacerdote refere que se vivem “momentos de ansiedade, medo e desconfiança em relação ao presente e ao futuro” e que seria uma “irresponsabilidade” fazer as romarias.

“Seria da nossa parte, como Romeiros, uma irresponsabilidade sairmos sabendo o perigo que a todos espreita, não só para nós, mas para quem se cruzasse connosco pelo caminho e para com as famílias que nos iriam acolher do frio da noite”, aponta.

Para dar alento aos romeiros o padre Davide Barcelos deixou o desafio do serviço.

“Servir, estimado Irmão Romeiro, é entrar, com a nossa fragilidade humana, em comunhão com os outros e levar-lhes uma palavra de Esperança. Servir pode parecer uma ideia pia, mas na verdade requer o reconhecimento humilde de que a nossa vida não é uma posse a proteger dos outros, mas uma dádiva a ser partilhada”, reconhece. 

Este diretor espiritual indicou ainda o “Manual de Oração” que os romeiros podem seguir durante a semana que foi “elaborado pelo grupo coordenador para a vivência da romaria”.

O padre Davide Barcelos reconhece que já há situações difíceis devido à pandemia do Covid-19, nomeadamente “desemprego e empresas estão a fechar as portas e atividade”, o que provoca insegurança na vida das famílias e deixou mensagem de esperança.

“Deus está a alertar-nos que a vida é muito bonita e que devemos vivê-la intensamente, aproveitando cada segundo, tendo sempre presente que Deus é o nosso companheiro nesta grande romaria, que é a nossa vida”, escreveu.

SN

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