Mensagem divulgada pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral diz que doentes são «expressão de Cristo que sofre», nesta Quaresma

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 11 mar 2020 (Ecclesia) – O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé) divulgou hoje uma mensagem a respeito da epidemia do Covid-19, apelando à solidariedade internacional para ajudar populações mais vulneráveis.

“Pedimos às autoridades políticas e económicas que não negligenciem a justiça social e apoiem a economia e a investigação, agora que o vírus está a criar, infelizmente, uma nova crise económica”, refere o texto assinado pelo cardeal Peter Turkson, responsável por este organismo da Cúria Romana.

O colaborador do Papa sublinha que esta situação de emergência veio recordar as “graves desigualdades” de recursos económicos, serviços de saúde, pessoal qualificado e pesquisa científica.

“Diante de uma emergência como esta, muitas nações, especialmente as que têm sistemas de saúde fracos, sentir-se-ão sobrecarregadas pelos efeitos do vírus e talvez não sejam capazes de atender aos pedidos de cuidado e proximidade”, pode ler-se.

A Santa Sé convida os católicos a ver nas vítimas do novo coronavírus uma imagem do “Cristo que sofre”, nesta altura da Quaresma, em que muitos “carecem de alguns sinais litúrgicos comunitários, como a celebração da Eucaristia”.

“Eles são a expressão de Cristo que sofre e, da mesma maneira que aconteceu na parábola do bom samaritano, precisam de gestos concretos de proximidade da humanidade”, refere o cardeal Turkson.

As pessoas que sofrem, tanto por contágio quanto por qualquer outro motivo, constituem um ‘laboratório de misericórdia’: a natureza multifacetada do sofrimento requer diferentes formas de misericórdia e cuidado”.

O Dicastério para o Serviço Integral de Desenvolvimento Humano veio “unir-se à voz do Santo Padre” para manifestar a proximidade da Igreja a todos os que sofrem com o contágio do COVID-19, às vítimas e suas famílias, bem como a todos os trabalhadores da saúde.

“Pensemos no vizinho de casa, no colega do trabalho, no amigo da escola, mas sobretudo nos médicos e os enfermeiros que arriscam a contaminação e infeção para salvar os contagiados. Estas pessoas vivem e indicam-nos a nós o sentido do mistério da Páscoa: doação e serviço”, indica o cardeal Peter Turkson.

O colaborador do Papa fala em “dias de forte preocupação e crescente inquietação”, dias em que “a fragilidade humana e a vulnerabilidade da alegada segurança na tecnologia estão a ser minadas a nível mundial por causa do coronavírus”.

“Continuaremos a apoiar, de todas as formas, os esforços do pessoal de saúde e das estruturas médico-sanitárias nas diferentes partes do mundo, sobretudo nos mais remotos e difíceis, confiando ainda na solidariedade ativa de todos”, aponta.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4300 mortos em 28 países e territórios.

O número de infetados ultrapassou as 120 mil pessoas, com casos registados em 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 59 casos confirmados.

OC

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