Manuel Lemos destacou trabalho das «equipas fantásticas» de colaboradores do Setor Social

Lisboa, 30 jun 2020 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) afirma que vê o futuro “com muita apreensão, com muita preocupação”, enquanto não for encontrada uma vacina para o novo coronavírus, e salienta que conseguiram salvar “o mais importante, as pessoas.”

“Poderia pensar-se que não nos restava outra solução que não fosse deixar para trás os mais frágeis, e os mais idosos, e aqueles que precisam de toda a ajuda e de todo o carinho, mas nós não o fizemos. Claro que pelo meio tivemos algumas perdas, era inevitável que tivéssemos algumas perdas, mas salvamos o mais importante, salvamos as pessoas”, disse Manuel Lemos em declarações à Agência ECCLESIA.

O presidente da UMP explica que a prioridade foi “cuidar das pessoas, protege-las” e num universo de cerca de 35 mil pessoas têm “a lamentar cerca de 36 óbitos, hoje de manhã”, e esse primeiro trabalho “continua e continuará enquanto não houver vacina, nem medicamentos de proteção destas comunidades”.

Nas ‘Conversas na Ecclesia’, que vão ser transmitidas esta tarde, Manuel Lemos afirma que vê o futuro “com muita apreensão, com muita preocupação” porque “não” se sabe “o que é que vai acontecer”, observando que a região de Lisboa ainda está a viver “a chegada da primeira vaga”.

Neste contexto, adianta que perceberam que “há outras coisas para fazer, há outras pessoas que precisam” de ajuda porque “vivem sozinhas”, e precisam de prestar apoio domiciliário, “de as confortar”, para além de “cuidar das crianças” dos pais que vão trabalhar, “porque o lado económico é fundamental nas modernas sociedades”.

“Estamos a fazer isso tudo graças a equipas fantásticas que temos de colaboradores do Setor Social que têm sido verdadeiros heróis, e é importante distingui-los”, acrescentou, adiantando que no sábado aprovaram “por unanimidade e aclamação uma homenagem aos trabalhadores, “senão fossem eles, aquelas pessoas todas tinham ido para os hospitais”.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas considera que “ficou demonstrado”, comparando os resultados de Portugal com outros países onde há mais Estado, que serem instituições da comunidade “teve aqui um papel fundamental”, nas pequenas terras onde existiram “casos graves era preciso pensar que os trabalhadores tinham todos um vínculo” que “foi determinante no momento em que noutros países muitos simplesmente fugiram”.

Manuel Lemos considera que conseguiram na comunidade das Misericórdias Portuguesas o “sentido que ninguém poderia ficar para trás” e todos eram “responsáveis por responder ao apelo do Papa Francisco que “ninguém se salva sozinho” e estão “todos no mesmo barco”.

“Senti que esse desafio tinha vários sentidos. Era em primeiro lugar uma chamada de atenção, uma mobilização comum da comunidade, para dizer juntem-se porque só juntos conseguirão resolver, minorar pelo menos esta pandemia. Também senti um grande conforto porque alguém com o perfil do Papa Francisco vinha em nome de todos, e com aquilo que representa, fazer-nos um apelo a essa união e que alguém estava por traz de nós a cuidar de nós”, desenvolveu.

Para além do presidente da União das Misericórdias Portuguesas as ‘Conversas na Ecclesia’ desta terça-feira contam com a opinião e análise dos presidentes da Cáritas Portuguesa e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS).

PR/CB

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