D. José Ornelas admite que próximo Natal seja celebrado com limitações, nas famílias, mas pede «equilíbrio» por parte de quem decide

Fátima, 14 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse hoje em Fátima que é “seguro” celebrar nas igrejas católicas, lembrando que as comunidades têm implementado normas “específicas”, acertadas com a DGS, que tornam muito difícil “ser contagiado” nas celebrações.

“Não brincamos com a saúde das pessoas”, referiu D. José Ornelas, em conferência de imprensa, no final da Assembleia Plenária que decorreu desde quarta-feira, reunindo os bispos das dioceses nacionais de forma presencial e online.

“Fazemos tudo para que seja seguro vir celebrar na igreja”, acrescentou o bispo de Setúbal.

O responsável assumiu a intenção de fazer “tudo o que for necessário para defender a vida”, perante a ameaça da Covid-19, esperando que haja, por parte dos decisores políticos, “sentido de equilíbrio”, para evitar que se morra “do vírus ou da sua cura”.

Questionado sobre o próximo Natal, face ao atual estado de emergência, o presidente da CEP rejeitou projetar cenários, realçando que é importante ter a “liberdade de celebrar na igreja” e que maior preocupação é a celebração “em casa”.

“Não pode ser a grande família”, admitiu D. José Ornelas, que defendeu especial atenção às pessoas mais fragilizadas.

“Para que os nossos avós cheguem ao próximo Natal, se calhar é necessário que neste Natal não estejamos juntos”, disse.

O bispo de Setúbal pediu à sociedade que aceite a necessidade de “contenção”, se o cenário assim o exigir, com a convicção de que haverá “outras ocasiões” e o importante é “ultrapassar a pandemia”.

No fim da Eucaristia pelas vítimas da pandemia, que decorreu hoje em Fátima, Marcelo Rebelo de Sousa disse que a forma como vai decorrer o Natal, nomeadamente as celebrações religiosas, vai ainda ser objeto de “reflexão”.

“Tudo isso vai ser objeto da audição dos partidos políticos e de reflexão. Vamos pacientemente olhar para isso”, indicou.

O presidente da República lembrou a “preocupação de controlo sanitário dentro dos templos” por parte da Igreja Católica e a “recomendação deixada às famílias de, fora dos templos, não haver formas de comportamento e celebração aquilo que se quis prevenir dentro dos templos”.

“A cerimónia religiosa obedece a regras e o máximo que a Igreja católica pode dizer é que, fora do templo, tentem não se afastar da lógica que nos levou a sacrificar aquilo queram celebrações tradicionais diferentes. Isto mostra um estado de espírito de sensatez que os portugueses têm de ter”, acrescentou.

PR/OC

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