Meditações da celebração, na Praça de São Pedro, evocam problemas na escola e mortes provocadas pela pandemia

Cidade do Vaticano, 02 abr 2021 (Ecclesia) – A Via-Sacra desta Sexta-feira Santa, no Vaticano, vai contar este ano com meditações de crianças italianas, que evocam problemas na escola e mortes provocadas pela pandemia de Covid-19.

“No último ano, não voltamos a visitar os nossos avós com a família; os meus pais dizem que é perigoso, poderíamos fazê-los adoecer de covid. Sinto falta deles! Tal como sinto falta das amigas de voleibol e do escutismo. Muitas vezes sinto-me sozinha”, refere um dos textos propostos para a celebração, que este ano decorre na Praça de São Pedro e não no Coliseu de Roma, à imagem do que aconteceu em 2020, devido às medidas sanitárias em vigor na Itália.

A preparação dos textos e desenhos para esta Via-Sacra envolveu 500 crianças e adolescentes da catequese da paróquia romana dos Santos Mártires de Uganda,;145 esceteiros do grupo Agesci de “Foligno I”, na Itália; 30 crianças e jovens da casa-família “Tetto Casal Fattoria”, em Roma; e oito crianças, entre os 3 e 8 anos de idade, da casa “Mater Divini Amoris”, também na capital italiana.

Simbolicamente, 20 crianças e jovens de Roma e Foligno vão estar ao lado do Papa Francisco na Via-Sacra de hoje, acompanhada por milhões de pessoas em todo o mundo, através dos media.

As reflexões dos mais novos falam das escolas fechadas, da “tristeza da solidão”, e do impacto da doença.

“Da ambulância desceram homens, que pareciam astronautas munidos de toucas, luvas, máscaras e viseiras, e levaram o avô que, já há alguns dias, sentia dificuldade em respirar. Foi a última vez que vi o avô; morreu poucos dias depois no hospital, sofrendo – imagino – também pela solidão”, escreve uma das crianças.

As meditações foram publicada pela Livraria Editora do Vaticano, com uma introdução que recorda as “cruzes” das crianças”.

Essas cruzes são o medo do escuro, da solidão e do abandono, também por causa da pandemia, da experiência dos próprios limites, da provocação dos outros, da sensação de ser mais pobre que os colegas, da tristeza pelas discussões na família, entre os pais.

Uma das meditações evoca o impacto do “bullying” sobre os colegas, que choram ao ser “ridicularizados” pelas suas limitações.

“A perseguição não é uma longínqua recordação de há dois mil anos: às vezes, algumas das nossas ações podem condenar, ferir e pisar um irmão ou uma irmã. Às vezes poderemos ter sentido até um certo prazer em fazer sofrer alguém, porque por trás daqueles sofrimentos disfarçamos os nossos próprios constrangimentos”, pode ler-se.

As reflexões evocam temas como o amor das mães, as experiências de falhanço, a atenção a quem é diferente, a solidariedade, a mentira, o perdão, o amor e a morte.

Na oração final na Via Sacra, são os adultos que tomam novamente a palavra, para um pedido a Deus: “Ajudai-nos a tornar-nos pequeninos, necessitados de tudo, abertos à vida”.

A celebração vai ser transmitida pelos canais do Vaticano pelas 21h00 (menos uma em Lisboa), a partir do adro da Basílica de São Pedro.

OC

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