Responsável por 11 paróquias aponta a tristeza dos poucos que lá vivem e a falta dos emigrantes

Guarda, 06 ago 2020 (Ecclesia) – O padre Américo Real Barroca, pároco na zona do Sabugal, Diocese da Guarda, disse hoje à Agência ECCLESIA que as “aldeias estão vazias”, ao contrário do habitual em agosto, devido à pandemia.

“O mês de agosto seria uma festa muito grande, religiosas e as tradicionais touradas, estaria tudo cheio de gente, este ano não há ninguém. Os emigrantes não vieram e a população é a de sempre, poucos e envelhecidos, não parece agosto”, refere.

O sacerdote sublinha que, “além de muitas fronteiras fechadas, os emigrantes não têm motivos para vir, não há festas e sem festas seguem para outros lugares”.

O padre Américo Real Barroca recorda outros anos em que os “emigrantes enchiam as ruas”, nas procissões das festas religiosas e depois na “capeia raiana”, tradição daquela zona, que ainda os prende a virem às origens.

Falamos já de várias gerações de emigrantes, já netos e bisnetos de quem emigrou, seja da França e da Suiça, que já não têm ligação à terra, vinham pela festa e convívios, porque a família que ainda cá está é afastada e têm pouca ligação, não é bastante para regressar”.

Foto: Ramiro Matos – Nossa Senhora da Graça

Com as “aldeias muitos mais vazias”, o sacerdote conta que “nas Missas estão as pessoas habituais” – um número que “noutros anos triplicava” -, uma “população muito envelhecida e com tristeza, por não ter cá os familiares”.

“O mês de agosto trazia-lhes alegria, um objetivo de vida, era a chegada dos familiares emigrantes que lhes enchia a casa”, assinala.

O sacerdote aponta ainda a realidade das novas gerações de emigrantes que aproveitavam a vinda à terra de origem, no mês de agosto, para receber os sacramentos.

“Estas novas gerações já vinham casar cá e depois passado um ano ou dois vinham batizar os filhos, este ano tinha seis casamentos marcados e vários batismos, mas estão todos cancelados”, conta.

O responsável por 11 paróquias na Diocese da Guarda tenta apoiar estas pessoas, “indo às várias aldeias e estando, dando algum conforto”.

SN

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