D. Manuel Linda deixa palavra de gratidão aos funcionários dos lares

Foto: Lusa/EPA

Porto, 19 mai 2020 (ECCLESIA) – O bispo do Porto sustentou que “Estado tem uma enorme dívida” para com as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSSs), posição assumida no seu comentário semanal, publicado online.

“Não apenas uma dívida de gratidão, mas financeira” porque “paga 398 euros pela maioria dos idosos, quando eles custam, realmente, 1300 euros”, refere D. Manuel Linda.

Para o responsável católico, esta “é uma dívida que deveria ser imputada ao Ministério da Saúde” porque, mesmo que não se designem assim, os Lares são, hoje, as verdadeiras Unidades de Cuidados Continuados”.

Quando “alguma imprensa estrangeira” se interroga sobre as razões do “milagre português”, no que ao número de hospitalizados e mortos pela pandemia diz respeito, D. Manuel Linda realça que “ainda é cedo para fazer as contas”, mas aponta algumas razões.

O sentido gregário dos portugueses e o seu comprometimento cívico, a responsabilidade social da Igreja que assumiu a dianteira com as primeiras regras de higiene pública, o «sacerdócio» dos profissionais de saúde que se têm dedicado apreciavelmente, a iniciativa autárquica e de organizações diversas que completaram a capacidade do Serviço Nacional de Saúde com múltiplos hospitais de campanha, as generosas ofertas de tantos particulares, a insistência nos testes de despistagem a expensas das Câmaras e organismos não-estatais”.

O bispo do Porto sublinha no seu comentário ‘Dívidas’ a existência de “uma rede capilar de assistência à Terceira Idade, promovida e dedicadamente mantida pela iniciativa privada, de modo especial” pela Igreja Católica.

O prelado destaca que as direções e os funcionários dos Lares “não abandonaram o rebanho quando o lobo chegou”.

A este respeito, o presidente da CNIS, padre Lino Maia, refere ao jornal ‘Solidariedade’ que nas IPSS a situação nunca esteve incontrolável, durante a pandemia de Covid-19, embora admita que o governo demorou a acertar o passo com o sector social, sobretudo na questão dos lares de idosos.

O responsável reitera a necessidade de atualização do valor de comparticipação do Estado na cooperação: “3,5% de atualização podem ser um reforço para a crise, mas não podem ser o valor da atualização anual”.

LFS/OC

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