Aulas à distância criam novos desafios, em tempos de pandemia

Lisboa, 12 mai 2020 (Ecclesia) – A pandemia da Covid-19, que obrigou ao isolamento social e aulas à distância, criou a “necessidade muito grande” aos professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) se adaptarem “a todas as circunstâncias e situações”.

“Foi necessário pensar a disciplina, não preocupados em estabelecer horários, em cumprir horários, mas estar no momento certo, na altura certa, para que os alunos sentissem que estavam a ser acompanhados”, disse o professor Didácio Frei, em declarações à Agência ECCLESIA.

O professor de EMRC, que leciona no Agrupamento de Escola da Torreira (Diocese de Aveiro) e nas Escolas de Vila de Rei (Diocese de Portalegre-Castelo Branco) explica que havia “um risco muito grande” de se tornarem “mais uma situação complexa para resolver, dentro da disponibilidade que os pais dos alunos tinham”.

A professora Anabela Reis que leciona no Agrupamento de Escolas de Sines explica que logo no início da interrupção letiva da Páscoa esteve com “mais dois colegas a trabalhar na plataforma para o terceiro período letivo” e no dia 14 de abril arrancaram “normalmente, como uma escola normal, viva, mas através da internet”.

“Todos eles, na primeira aula do dia 14, as carinhas deles nestas janelas digitais, olharem uns para os outros e a tocarem no ecrã como quem: ‘não te via há tanto tempo e tinha saudade tuas.’ É fantástico poder proporcionar este momento”, lembrou.

A professora, que vive em Vila Nova de Milfontes, conta que pelas funcionalidades do horário “devia ter 45 sessões síncronas ao longo da semana”, reduziu para 33 sessões e junta “as turmas todas” e cumpre o horário estalecido.

“É tão bom vê-los ali e perceber que a disciplina pelo menos uma vez por semana proporciona um momento e encontro entre eles”, destacou Anabela Reis, afirma que conseguem através “da janelinha pequenina perceber o que lhes faz falta, entender as suas necessidades”.

O professor Mário Rodrigues acrescenta que “agora” não têm “turmas de 20 alunos” mas aumentaram para o dobro, por exemplo, porque “os pais assistem, os avós assistem” e todos querem intervir.

“Temos uma sala muito mais ampla, nós chegamos não só aos alunos mas também aos pais, diretamente. Eu deixo-os participar diretamente na aula, porque esta adaptação para nós adultos é difícil estarmos sentados todo o dia em frente a um computador, mas para eles ainda mais. A alegria que conseguimos levar com os nossos conteúdos, as nossas ferramentas, chegamos a estes alunos”, desenvolveu o professor natural de Sernancelhe, onde também leciona da disciplina de EMRC, na Diocese de Lamego.

Segundo a professora Anabela Reis, a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica “ajuda a entender o mundo” e “contribui para o crescimento integral da criança” e assinala que “a preocupação” do seu agrupamento “é dar as ferramentas aos alunos, todas as possíveis, para que consigam chegar a uma meta que os faça ser melhor”.

“A disciplina de EMRC foi-se desenvolvendo ao longo dos tempos e, atualmente, temos uma panóplia de ferramentas e possibilidades que permitem atingir o valor fundamental que passa pela educação integral dos nossos alunos que muitas vezes é esquecida dentro do âmbito escolar e a nossa disciplina é um contributo fundamental para isso”, acrescentou o professor Didácio Frei sobre o que considera ser a “disciplina mais transversal que existe nas escolas”.

No contexto atual, o professor Mário Rodrigues destaca que “com os alunos, em cada casa” estão “a incentivar os pais a fazer uma recolha de alimentos e ajudar quem está perto mas precisa da ajuda”.

A lei prevê a oferta obrigatória da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica do Ensino Básico ao Secundário e no atual ano letivo 2019/2020 passou a integrar as matrizes dos cursos profissionais (Decreto-Lei nº 55/2018, de 6 de julho).

A Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé consagra a existência da disciplina de EMRC, sendo os professores propostos pelos bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela; é uma componente do currículo nacional, de oferta obrigatória por parte dos estabelecimentos de ensino e de frequência facultativa.

PR/CB/OC

 

 

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