Bispos preparam diretivas sobre aspetos litúrgicos e medidas sanitárias a ter em consideração

Lisboa, 02 mai 2020 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou hoje o regresso das Missas comunitárias a 30 de maio, véspera da Solenidade do Pentecostes, face à retomada gradual das celebrações prevista pelo Governo, após o final do estado de emergência.

“A data depende ainda da avaliação que o Governo se propõe fazer da situação, nesta primeira etapa do desconfinamento. As Dioceses insulares terão em conta as indicações das respetivas autoridades regionais”, indica um comunicado da CEP, enviado à Agência ECCLESIA.

Foto João Lopes Cardoso/Diocese do Porto

O documento surge após a Resolução do Conselho de Ministros n.º 33-C/2020, que estabelece uma estratégia de levantamento de medidas de confinamento no âmbito do combate à pandemia da doença COVID-19, prevendo o reinício das “celebrações comunitárias de acordo com regras a estabelecer entre DGS e confissões religiosas”.

“Proximamente daremos indicações comuns sobre aspetos litúrgicos e medidas sanitárias a ter em conta nas celebrações e nos templos, as quais poderão ser utilizadas pelas Dioceses, em coordenação com as autoridades locais de saúde no que diz respeito aos procedimentos práticos”, anuncia a CEP.

Esperamos que se mantenha a responsabilidade cívica de todos os cidadãos, em atitude de prudência e de acatamento das decisões das autoridades governamentais e de saúde, para que não aconteça um retrocesso rápido da situação”.

A suspensão das celebrações comunitárias da Missa foi determinada pela CEP, a 13 de março, antes da proclamação do estado de emergência por parte das autoridades nacionais.

“Comungamos do sofrimento de tantos cristãos privados da participação efetiva na celebração sacramental da Eucaristia, cume e centro da vida cristã, na esperança de um mais rápido reinício das celebrações comunitárias da Eucaristia, fonte da nossa alegria pascal”, escrevem os responsáveis pelo organismo episcopal.

O comunicado divulgado hoje pelos bispos católicos determina que as celebrações dos sacramentos que implicam contacto físico, devem ser adiadas para o próximo ano pastoral ou, nalguns casos particulares como o batismo e a unção dos doentes, “podem ser realizadas com as devidas cautelas de saúde e normas de segurança”.

Para o sacramento da Reconciliação, será necessário “seguir as normas de segurança de saúde e garantir o devido distanciamento entre o confessor e o penitente, protegendo sempre o inviolável segredo da confissão”.

Foto: Lusa

As exéquias cristãs devem ser celebradas no templo (com celebração da Palavra ou da Eucaristia) “e/ou no cemitério com a presença dos familiares”, tendo em conta as normas de segurança que impeçam a transmissão do novo coronavírus.

Quanto às catequeses e outras ações formativas, “continuarão a ser realizadas apenas por meios telemáticos até ao final deste ano pastoral”, que coincide, no essencial, com o ano letivo.

A CEP anuncia também que “procissões, festas, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares passíveis de forte propagação da epidemia” ficarão adiadas para o próximo ano pastoral.

As igrejas podem estar abertas durante o dia para visitas individuais, “desde que se observem os requisitos determinados pelas autoridades de saúde”.

Os bispos católicos agradecem “à população em geral e aos cristãos em particular pela atitude responsável de prevenção ao longo desta situação”, seguindo as normas e orientações da Igreja e das autoridades governamentais e de saúde.

“Rezamos pelas inúmeras vítimas desta epidemia e seus familiares, estamos solidários com os doentes infetados por este terrível vírus e agradecemos o precioso trabalho dos que estão na linha da frente como os profissionais de saúde, as forças de segurança e os que trabalham nos lares e outras instituições sociais”, acrescenta a nota.

OC

A CEP elogia a “criatividade das comunidades cristãs” na intensificação das formas de praticar a fé entre os jovens e nas famílias, bem como a “ação sociocaritativa das instituições da Igreja para com os mais carentes e desempregados”.

“Neste mês de maio, imploramos a bênção do Senhor e a intercessão da Virgem Maria, para que sejamos livres deste grande flagelo, próximos daqueles que são mais afetados pelas dificuldades, orientados pela fé, diligentes na caridade e guiados pela esperança do Senhor ressuscitado que estamos a celebrar neste tempo de Páscoa”, conclui o comunicado.

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