Docente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica admite alterações de comportamentos a nível individual

Foto Lusa

Lisboa, 16 jul 2020 (Ecclesia) – O professor universitário Artur Morão disse à Agência ECCLESIA que “uma civilização não muda de um dia para o outro”, comentando o impacto da pandemia de Covid-19.

“Esta ocorrência obriga-nos a encarar este desfecho das nossas vidas de uma forma à qual resistimos mas à qual não podemos fugir”, referiu disse o docente, que integra o Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.

Para o entrevistado, individualmente muitas pessoas vão “modificar a sua atitude”, o que exige “um trabalho interior”.

Artur Morão explica que “é muito difícil” para a maioria dos seres humanos e ocidentais “fazer este trabalho interior”, porque vivem “numa cultura que é individualista” mas que é também “uma cultura reflexiva, até certo ponto, mas não é uma cultura interiorizante”, o que obriga “a cortar com muitos abusos, até com a pressa, cultivar mais o silêncio, optar por um vida mais frugal”.

A crise ecológica não se resolve nos países mais ricos, sem a opção por uma certa frugalidade. Ao mesmo tempo temos de olhar para aqueles que têm fome e temos de lhes dar os alimentos necessários. Mas para nós que, em rigor, não nos falta quase nada temos de ir para a frugalidade, é uma virtude antiga, é uma virtude que faz bem à saúde até”.

O professor universitário escreveu cinco textos no livro ‘Ressurgir – 40 perguntas sobre a pandemia’, publicado pela Paulinas.

Na entrevista ao Programa ECCLESIA (Antena 1), Artur Mourão afirma que “culturalmente”, a sociedade vai “continuar na mesma”, lembrando que sociólogos e estudiosos da religião dizem que “é o indiferentismo” que “está em aumento”.

“Mesmo nos países que tiveram um passado cristão, já sabemos que vivemos uma época pós-cristã, mesmo em Portugal. Pode ser que esta crise mexa com muita gente, isso sim, mas não sabemos porque isto se passa no interior das consciências; por outro lado, obriga-nos a refazer uma imagem deletéria que em muita gente existe, o Deus castigador”, desenvolveu.

Artur Morão destaca que “o Deus cristão não é um Deus castigador”, o Deus bíblico “é um Deus que convida a voar, não é rival, não é castigador”, antes pelo contrário, quer que se “sejam criativos”, o mais que se puder, e “em todos os campos”.

‘Vida, saúde e solidariedade’, ‘Pessoal-Familiar’, ‘Ciência, informação & cultura’, ‘Economia sustentável’ e ‘Espiritualidade’ são os cincos capítulos do livro ‘Ressurgir – 40 perguntas sobre a pandemia’, publicado pela Paulinas Editora, e que ao longo das próximas duas semana dá mote à reflexão no programa ECCLESIA na rádio Antena 1 (22h45).

HM/CB

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