Organização católica apoiou mais de 16 mil pessoas nos últimos meses, dentro da estratégia «inverter a curva da pobreza»

Foto: Lusa

Lisboa, 05 ago 2021 (Ecclesia) – A presidente da Cáritas Portuguesa referiu à Agência ECCLESIA que a instituição católica prevê um cenário de “incerteza” para os próximos meses, em que os efeitos da pandemia se podem agravar.

“Ao território ainda não chegou o pior”, assinala Rita Valadas, sublinhando que “quem está próximo, verifica que esta situação se avoluma”.

A responsável falava a respeito dos últimos dados relativos à estratégia nacional “Inverter a curva da pobreza em Portugal”, lançada pela Cáritas no contexto da pandemia de Covid-19.

“A nossa principal preocupação neste momento é a incerteza, que torna difícil acautelar a capacidade para dar uma resposta integrada e transversal e chegar ao maior número de pessoas que nos pedem auxílio”, realça a presidente da instituição.

Em 13 meses, o programa apoiou um total 16 674 pessoas (6057 famílias, das quais 2862 pela primeira vez) num valor de 405 670,87 euros.

“Com a mobilização das 20 Cáritas Diocesanas, temos feito uma intervenção de âmbito nacional, prestando apoio de emergência e apoio em vales de bens essenciais”, precisa Rita Valadas.

“Há que concertar recursos e intervenção. Ninguém consegue resolver a atual situação sozinho”, acrescenta.

Foto: Cáritas Portuguesa

Segundo a presidente da Cáritas Portuguesa, a organização católica de solidariedade e ação humanitária tem chegado “a um universo muito alargado de pessoas”, na sua maioria entre os 30 e os 65 anos e de nacionalidade portuguesa.

O apoio chegou ainda pessoas de 19 nacionalidades diferentes.

“Muitos imigrantes viram a sua situação piorar com a pandemia e recorreram às Cáritas Diocesanas em busca de soluções”, assinala.

Rita Valadas precisas que os pedidos de ajuda estão ligados a questões provocadas pelo desemprego, baixos rendimentos e endividamento das famílias.

“A situação atual está a afetar pessoas que não estão habituadas a estar nesta situação de dificuldade financeira e de contínua incerteza”, observa.

Os apoios ao pagamento de renda representam quase dois terços do total (62%), seguindo-se despesas com eletricidade, água e gás (20%) ou saúde (14%), entre outros.

O programa vai manter-se em vigor, “pelo menos”, até ao final de 2021.

“Diria que o desafio será fazer sempre com que a Cáritas consiga chegar às pessoas mais frágeis e impedir o desalento”, indica Rita Valadas.

Creio que a nossa proximidade pode ser um trunfo importante. Para agir e ajudar temos de ouvir quem está mais próximo, para poder ajudar a resolver os problemas que se veem à distância”.

A responsável indica que decorreu um levantamento interno, junto das Cáritas Diocesanas, para identificar alguns dos principais problemas a enfrentar, como as “rendas altas” na habitação ou a dependência do turismo na atividade económica.

A organização católica mostra-se preocupada também com o abandono escolar e o desemprego jovem.

“As situações são muito críticas, mas nós percecionamos que podem ser mais. Sabemos que temos rapidamente de entrar numa perspetiva de cuidar das famílias, para que elas possam estar autónomas”, afirma Rita Valadas.

Foto: Cáritas Portuguesa

A Cáritas e o ISEG estão a realizar um estudo sobre o impacto da pandemia na vida das famílias vulneráveis, cuja apresentação pública vai decorrer em finais de setembro.

Questionada sobres os dados preliminares dos Censos 2021, a presidente da Cáritas Portuguesa sublinha a tendência de aglomeração no litoral, considerando que a organização católica “terá de estar preparada também para estas deslocações da população”.

Sobre cenários futuros, a responsável aponta duas questões “absolutamente centrais e fulcrais na próxima década”, as alterações climáticas e as migrações.

“Portugal devido à sua periferia geográfica não tem sofrido deste desafio, mas poderá acontecer se houver movimentos em massa de populações vindas da Lusofonia”, adverte.

CB/OC

 

Rita Valadas destaca o apoio dos doadores particulares que foram a principal fonte de angariação de verbas para a campanha “Inverter a curva da pobreza em Portugal”.

“Recebemos uma grande onda de solidariedade de bens doados por parte de muitas empresas, principalmente no ramo da distribuição alimentar. Chegamos a receber e a distribuir mais de 152 toneladas de bens essenciais na fase inicial do programa”, relata.

A presidente da Cáritas Portuguesa sublinha o compromisso de pessoas e empresas saibam “exatamente a aplicação dos donativos”.

“A crise não foi de solidariedade, mas é preciso muita solidariedade”, conclui.

 

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