Tiago Abalroado alerta para riscos acrescidos com escolas abertas e votação nas residências para idosos

Lisboa, 17 jan 2021 (Ecclesia) – O presidente da União Distrital das IPSS de Évora (UDIPSS-Évora) alertou para a situação limite que se vive na assistência aos idosos, em Lares e Estruturas Residenciais, por causa da pandemia de Covid-19 que se vive há meses.

“Há aqui todo um somar de situações que vem exigir mais dos profissionais, exigir mais das organizações e depois entra-se em situação de situação, de burnout, de algumas dificuldades em gerir, conflitos internos”, assinala Tiago Abalroado, convidado da entrevista semanal conjunta Renascença/Ecclesia, publicada e emitida semanalmente aos domingos.

O responsável sublinha que, por causa dos vários confinamentos e limitações sanitárias, os utentes “estão isolados, estão confinados, por isso também evidenciam um maior desgaste” e exigem mais atenção dos profissionais.

“Desde março, temos vindo a fazer um esforço e a contar com a colaboração das pessoas; as pessoas não desistem e tem sido muito importante ver a vocação, a disponibilidade, a dedicação dos profissionais e aqui destaco de forma muito séria o papel dos ajudantes e das ajudantes de ação direta”, aponta.

“As instituições têm de se desdobrar entre o trabalho aos utentes residenciais, aqueles que estão na instituição e aos utentes que estão em casa”, acrescenta.

O presidente da UDIPSS-Évora recorda que as respostas sociais “funcionam em permanência” e admite em encontrar recursos humanos, “seja por via de voluntariado, seja por via de contratos”.

“É uma dificuldade que se tem vindo a agudizar, por força do aumento dos casos”, adverte.

Tiago Abalroado questiona a eficácia das brigadas de intervenção rápida, por falta de pessoal médico e de formação específica, além de sublinhar atrasos na testagem nas instituições.

O entrevistado elogia, por outro lado, o processo de vacinação em curso, que chega já 70% dos lares do Alentejo, na 1ª dosagem, esperando que chegue depois aos profissionais do apoio domiciliário.

Questionado sobre o novo confinamento, o presidente da UDIPSS-Évora considera que “o facto de as escolas se manterem abertas faz com que a proteção das famílias não seja tão acautelada como no primeiro confinamento”, em 2020.

“Não há aqui uma efetiva diminuição do risco: os pais continuam a relacionar-se com os filhos; os pais, trabalhadores de IPSS, continuar a ir às Instituições, porque estas têm de continuar a sua prestação de serviços; os filhos têm de continuar a ir à escola”, precisa.

Tiago Abalroado mostra também preocupações com o facto de os idosos residentes em lares poderem votar para as presidenciais de 24 de janeiro, na instituição onde vivem, assinalando que teria sido preferível adiar o processo eleitoral.

“Uma coisa é certa: é muito difícil, na fase em que nos encontramos, assegurar com todas as condições de proteção que os idosos poderão votar, que os utentes institucionalizados poderão votar”, indica.

O responsável convida a fazer do tempo de pandemia um momento de reflexão sobre os modelos de institucionalização para os idosos, para que os lares e estruturas residenciais não sejam “depósitos de utentes”.

Octávio Carmo (Ecclesia) e Henrique Cunha (Renascença)

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