O arcebispo de Bouaké, Vital Komenan Yao, assegura que é urgente que a ONU e a Comunidade Internacional se comprometam numa autêntica solução das crises de Costa do Marfim. Este responsável denunciou a absoluta incerteza do futuro do país em entrevista à agência Misna. «Este era um país de paz e fraternidade: devemos superar as divisões e afastar a miséria que pesa sobre o nosso presente e sobre o nosso futuro», afirmou D. Komenan Yao. «Há uma semana voltámos a um clima de guerra no país. Os rebeldes fecharam os acessos para as zonas que controlam bloqueando inclusive o corredor humanitário para a passagem das ajudas. A situação está a complicar-se novamente», advertiu o prelado. Dias atrás, as «Forças Novas» –o reagrupamento dos três movimentos rebeldes do país– declararam o estado de emergência, ameaçando retirar seus delegados do executivo. Neste contexto, «não deve se surpreender de que Guillaume Soro, actual ministro de Comunicações e líder de um grupo rebelde, tenha sido agredido por um grupo de jovens», reconheceu o arcebispo de Bouaké -uma diocese de quase dois milhões de habitantes -, que se vê obrigado a fazer-se acompanhar de uma escolta. «As “Forças Novas” convidaram os civis que fugiram nos últimos meses a voltar para as zonas do norte que controlam. Mas, para fazer o quê? Não têm dinheiro e a economia está destruída», lamenta o arcebispo.
