Padre Joaquim Ganhão, diretor do Secretariado da Liturgia da Diocese de Santarém deixa sugestões de celebração para as comunidades católicas

Foto Diocese do Porto/JLC

Fátima, 03 jun 2021 (Ecclesia) – As comunidades católicas de Portugal celebram hoje o Corpo de Deus sem procissões públicas, pelo segundo ano consecutivo, um desafio a viver a solenidade “com espírito de fé e gratidão”, segundo o padre Joaquim Ganhão.

O diretor do Secretariado Diocesano da Liturgia de Santarém refere à Agência ECCLESIA que a solenidade litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo surge no calendário como “um grande eco da Páscoa”.

“Esta é uma oportunidade para a comunidade celebrar, num dia inteiro, aquilo que celebrou no início do Tríduo Pascal, na Quinta-feira Santa, com a instituição da Eucaristia”, sustenta.

A solenidade religiosa tem as suas raízes nas grandes devoções da eucarísticas que nascem pelo século XIII.

O feriado nacional do Corpo de Deus esteve suspenso em Portugal entre 2013 e 2015, num entendimento entre a Santa Sé e o anterior Governo português, anos em que foi celebrado ao domingo

Desde 2020, é a pandemia que impossibilita a realização das tradicionais procissões públicas.

“Se a pandemia nos impede de ir para a rua e levar a Eucaristia pelas ruas das nossas cidades, esta é uma ocasião para nos centrarmos neste essencial que é a celebração enquanto acontecimento central de toda esta festa” considera o padre Joaquim Ganhão.

O especialista destaca que as condicionantes sanitárias que impedem as aglomerações, mas “não impedem os cristãos de celebrar esta festa, com toda a beleza, dignidade e sobretudo profundidade espiritual e eclesial”.

Esta solenidade terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus; a exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60.º dia após a Páscoa, uma quinta-feira, fazendo assim a ligação com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.

O diretor do Secretariado da Liturgia da Diocese de Santarém deixa sugestões para assinalar a solenidade, “antes de mais com uma Eucaristia bem celebrada, bem vivida, antecipada para muitos, do sacramento da Reconciliação”.

O liturgista recorda que os fiéis podem “prolongar a Eucaristia com um momento mais longo de adoração ao Santíssimo Sacramento”.

“Nas grandes igrejas, por que não uma pequena procissão que faça esta memória e continue a beleza desta solenidade?”, sugere.

O ideal é viver estes dias em comunidade e mesmo os que aproveitam para algum veraneio não estão impedidos, antes pelo contrário, de participar nas celebrações nos lugares para onde vão”.

Para além da dimensão religiosa e do alcance teológico deste dia, o padre Joaquim Ganhão sublinha a dimensão da gratidão por poder voltar a ter este momento festivo.

“Já tivemos aqui uma fase em que tivemos que reclamar por estas datas religiosas, ficamos tristes de não as poder celebrar nos dias próprios, voltamos a poder fazê-lo e cabe também aos cristãos esta responsabilidade, um testemunho”, indica.

A celebração do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser assinala há mais de sete séculos e meio, na cidade de Liège, atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula “Transiturus”, em 1264, dotando-a de Missa e ofício próprios.

Esta expressão festiva da Igreja resulta também de um movimento de resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia; terá chegado a Portugal nos finais do século XIII e tomou a denominação de festa de Corpo de Deus.

HM/OC

 

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