Padre Nuno Santos explica que hoje o «tempo não pode ser» de resultados e respostas rápidas mas «qualidade»

 

Coimbra, 01 set 2020 (Ecclesia) – O reitor do Seminário Maior da Sagrada Família, da Diocese de Coimbra, considera que “este tempo de pandemia”, originado pelo coronavírus Covid-19, “vai exigir um olhar de qualidade” porque “não pode ser de resultados rápidos e de respostas também rápidas”.

“Quando temos maiores dificuldades, temos o desafio maior de perceber que o que fazemos deve ser feito com maior qualidade. Ou seja, quando o drama aumenta temos de ser mais humanos e mais profundos, e o tempo de pandemia ou seguimos o caminho de uma certa profundidade, serenidade, e qualidade ou simplesmente estamos a perder oportunidade”, disse o padre Nuno Santos em entrevista à Agência ECCLESIA.

Nas ‘Conversas Originais – das palavras à ação’, desta terça-feira, o reitor do Seminário Maior de Coimbra considera que o tempo “não pode ser de resultados rápidos e de respostas também rápidas”, alertando que para a exposição “sem qualidade”.

“O Cristianismo devia ser essencialmente uma pergunta no mundo e os cristãos deviam ser uma provocação no mundo. Eu penso que este tempo de pandemia vai exigir de nós um olhar de qualidade”, destacou.

A partir da sua experiência, o padre Nuno Santos adianta que quando propõe às pessoas “algo mais profundo e mais sério, elas não têm pressa” e exemplifica que, às vezes, se está “cheio de pressa num determinado sítio”, num desafio seguinte parece que se tem “todo o tempo do mundo” por que as pessoas sentem-se “bem”, enquadrados, “porque dá um sentido”.

O reitor do Seminário Maior de Coimbra, recorda que havia um tempo em que “interessava estar na rua, fazer, aparecer”, era importante ter gente numa igreja, mas mesmo hoje, ainda há muita gente que “está preocupada com os números” mas “as exigências, o contexto, é mais profundo”.

“Hoje o importante é a qualidade daquilo que se faz, a densidade daquilo que nós dizemos, os processos. A atenção e o cuidado. Na sociedade em geral e na Igreja em particular vamos sofrer muito sempre que não implementarmos com qualidade alguns processos, com proximidade, com visão, com atenção e com cuidado, sobretudo com futuro”, desenvolveu.

O responsável realça que homens e mulheres “podem sonhar” e que “vale a pena sonhar” mas não basta isso, porque “é preciso que o sonho faça sentido e, hoje, que seja sustentado também economicamente”.

“Hoje a realidade é muito exigente, os tempos de incerteza são outros: tudo é trabalhado mais devagar, apesar de parecer que tudo é mais rápido os resultados são mais lentos”, acrescentou, alertando para a existência de “uma angústia permanente” – o querer plantar hoje para “amanha já usufruir da sombra”.

“O que mais vai empobrecer a Igreja e o mundo é exatamente este curto prazo”, salienta o padre Nuno Santos que esta semana está nas ‘Conversas Originais’ e é também o convidado do programa Ecclesia na rádio, às 22h45, na Antena 1.

Num tempo de muitas viagens limitadas agora por causa do coronavírus, o reitor do Seminário Maior de Coimbra considera que o “grande desafio, e é para isso que a Igreja serve e a religião pode ajudar, é tornar os nómadas peregrinos, os turistas peregrinos”.

“Em nós há uma dimensão de turista, mas a Igreja ajuda-me a viver a minha fé, ajuda-me a fazer do meu turismo uma peregrinação”, acrescenta o padre Nuno Santos.

LS/CB

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