Especialista explica que a catequese acontece quando «o catequista é o descodificador do que acontece na comunidade»

 

Braga, 08 set 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão para a Educação Cristã da Arquidiocese de Braga afirmou que “a catequese já não é um acontecimento que ocorre apenas numa sala” mas “terá que sair mais” e ser uma “participação na vida da comunidade”.

“A catequese acontece, para usarmos uma metáfora, quando o catequista é o descodificador do que acontece na comunidade: Visita todos os espaços e acontecimentos da comunidade e ajuda cada catequizando a descobrir o sentido e o significado que aqueles eventos têm para os cristãos”, disse o cónego Luís Miguel Rodrigues, em declarações à Agência ECCLESIA.

Nas ‘Conversas Originais – das palavras à ação’ desta terça-feira, o especialista explica que, no fundo, é como se a comunidade cristã, “e é verdade, fosse uma belíssima obra de arte” e o catequista ajuda os catequizandos “a descodificar, a perceber e a entender o seu significado”.

O novo Diretório para a Catequese do século XXI, da responsabilidade do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (Santa Sé), propõe-se que a catequese saía da sala, dos espaços físicos, e o presidente da Comissão para a Educação Cristã da Arquidiocese de Braga afirma que a catequese “já está a sair da sala de catequese mas terá que sair mais” e “ser uma participação na vida da comunidade”.

Neste contexto, o cónego Luís Miguel Rodrigues não se restringe “a espaços eclesiásticos” mas aos “espaços eclesiais”, isto é, “os espaços onde os cristãos vivem como tal”, e sugere, como exemplo, na catequese da adolescência enviar “dois ou três adolescentes com cada visitador de doentes”

“Isto é mais educativo na fé do que tê-los uma dúzia de horas metidos numa sala a fixar seja lá o quê, porque eles fazem uma experiência; Se colocamos o catequizando em contacto com aquelas boas experiências onde sentimos a presença de Deus deixemo-lo estar, confiemos na graça de Deus, que ela há de de atuar”, acrescenta sobre a catequese da adolescência que “é muito difícil” porque vão para dentro de uma sala “fazer aquilo que já fazem na escola”.

Segundo o especialista, “naturalmente”, quando a pessoa começa a “deixar-se tocar pela graça de Deus” essa mesma realidade “acaba por fazer com que tenha curiosidade, com que ele tenha desejo” de conhecer Deus e “vai estar mais recetivo” ao que lhe queiram explicar acerca de Deus.

“Mais do que um encontro onde se transmitem uma série de conteúdos era importante favorecer experiências onde a pessoa pode fazer a experiência de se encontrar com Jesus Cristo. Podemos dizer que a comunidade é a imagem imersiva de Deus: Se nos perguntassem como é Deus? Nós diríamos, citando Jesus Cristo, ‘vinde e vede’. Vinde à comunidade e vede como nós vivemos”, desenvolveu o cónego Luís Miguel Rodrigues.

Nos últimos 50 anos, tinham sido publicados o Diretório Catequístico Geral, em 1971, e o Diretório Geral de Catequese, de 1997; a 11 de outubro de 1992, São João Paulo II publicou ainda o Catecismo da Igreja Católica.

Segundo o diretor-adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, no polo regional de Braga, o Diretório para a Catequese, está “muito influenciado” pelo “novo ímpeto evangelizador do Papa Francisco” que está “sistematizado” na exortação ‘Evangelii Gaudium’.

O cónego Luís Miguel Rodrigues é o convidado desta semana das ‘Conversas Originais – das palavras à ação’, transmitidas e publicadas online, às 17h00, e do programa Ecclesia na rádio Antena 1, pelas 22h45.

LS/CB

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