Perante o silêncio em tempo de pandemia, maestrina destaca o papel da música para ajudar a rezar

 

Fátima, 13 mai 2021 (Ecclesia) – Paula Pereira, maestrina e cantora no santuário de Fátima, contou à Agência ECCLESIA que, no primeiro confinamento, fazia quatro celebrações diárias de forma angustiante, mas sabia “estava a ajudar muita gente a rezar”. 

“No primeiro confinamento eu voluntariei-me para facilitar o confinamento dos colegas, para ficar cá oito dias consecutivos, fui eu que fiz as quatro celebrações diárias e lembro-me que o primeiro dia foi o mais difícil, a primeira celebração foi muito angustiante”, recorda a maestrina em declarações à Agência ECCLESIA.

Paula Pereira referiu que, apesar do santuário vazio de peregrinos, “absolutamente indescritível”, no segundo confinamento foi diferente.

“Eu sabia que estava a cantar e a rezar com muita gente, embora não pudesse interagir com as pessoas e isso, confesso, que senti muita falta, porque o nosso papel é também acolher, ajudar a rezar e fazer com que a celebração os marque na visita que fazem”, explica. 

A reitoria do santuário ia dando feedback positivo, “muitas mensagens e mails de gratidão que chegavam” e a maestrina ia percebendo que não estavam sozinhos.

“Com o passar dos dias fomos percebendo que os peregrinos estavam ali, só não estavam fisicamente”, assume. 

Para a maestrina Paula Pereira a “questão do acolhimento é cada vez mais valorizada” e considera que o “santuário é feito dos peregrinos, não são só as parede e só faz sentido se tiver peregrinos”.

“Quanto melhor os acolhermos, mais os ajudarmos a cantar, a rezar e viver a celebração, falo da minha área, mais marcante vai ser a passagem pelo santuário”, aponta.

Paula Pereira refere ainda que o “próprio reportório que está a ser feito e muito bem aceite”, havendo mesmo pedidos de “partituras para depois cantarem nas suas paróquias”.

“É uma nova realidade que se percebeu, nova forma de viver a fé, não me parece que a fé diminuiu, viveu-se de outra forma, olhar mais para dentro de nós próprios, a pensar o que estamos aqui a fazer, a pensar mais no essencial”, afirma.

HM/SN

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