Carlos Vieira, mestre do Rancho de Romeiros de Vila Franca do Campo conta que foi «uma felicidade» terem realizado os encontros presenciais

São Miguel, Açores, 03 mai 2021 (Ecclesia) – Carlos Vieira, mestre dos Rancho de Romeiros de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, disse à Agência ECCLESIA que a “forma diferente” como realizaram a romaria deu “novo alento” ao grupo de 60 homens.

“Na quarta semana da Quaresma, em São Miguel, foi o melhor período, porque depois surgiram novos casos. Tivemos a felicidade da forma presencial, sem a caminhada, mas a espiritualidade da romaria foi cumprida na íntegra”, afirmou Carlos Vieira à Agência ECCLESIA. 

O Rancho de Romeiros de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, diocese de Angra, conseguiu aliar o digital ao presencial e transformar a romaria, iniciaram com “as 10 reuniões de preparação online” mas depois foi possível ter encontros presenciais.

“Quando chegamos à nossa data de saída, seria de 13 a 20 de março, a situação estava controlada, não havia casos, fizemos presencial, cumprindo na íntegra todas as regras, que estavam definidas para as celebrações; fizemos programa diário e encontrámo-nos em diferentes templos em cada dia, tivemos um sacerdote diferente connosco a cada dia, mantivemos a parte da espiritualidade muito acesa que era o objetivo”, explica. 

Apesar de não ser incluída a caminhada pela ilha, Carlos Vieira destaca que o lado espiritual foi muito importante onde incluíram, além da missa diária, terços, vigílias, via sacra é momentos de oração”.

“Tal como acontece durante a caminhada, também a meio da semana tivemos o encontro com as famílias, com uma eucaristia, tentámos manter os nossos costumes”, refere. 

Outro costume é o cântico que, a cada ano, este rancho de romeiros compõe e apresenta á sua comunidade no dia da chegada e “este ano não foi exceção”.

“Criamos em 2006 o hino dos romeiros de Vila Franca do Campo e todos os anos compomos um cântico. ‘Pescadores de Homens”’ é o tema da caminhada sinodal da diocese e por isso o título do cântico deste ano, apresentámos no santuário de Nossa Senhora da Paz, onde realizámos um terço e, após eucaristia final apresentámos de forma virtual, como todas as outra atividades, uma forma de todos acompanharem o que fizemos”, assinala.

As romarias quaresmais de São Miguel completam 500 anos em 2022; segundo a tradição, tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas registados no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

Os ranchos tradicionais, onde só homens podem participar (surgiram entretanto romarias de mulheres, em São Miguel e na ilha Terceira), são organizados e devem cumprir um percurso, sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de S. Miguel; existem também na ilha Terceira e na Graciosa, no Canadá e nos Estados Unidos da América.

As “Conversas na ECCLESIA” ficam online às 17h00, de segunda a sexta-feira desta semana, e têm como tema as festas religiosas na Diocese de Angra, nos Açores, e o impacto da pandemia nestas celebrações.

SN

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