Depois do tempo de confinamento, que trouxe muitos desafios pessoais e académicos, os jovens sentem-se «fortalecidos»

Lisboa, 22 jun 2020 (Ecclesia) – Os jovens universitários enfrentaram muitos desafios pessoais e académicos, em tempos de pandemia, mas confessaram à Agência ECCLESIA que se sentem mais fortalecidos para se adaptarem para o que o futuro trouxer.

“Temos de olhar o bom da situação e serviu para realçar a necessidade de empregos de futuro, não vamos ser todos informáticos, mas acho que abre muitas possibilidades, até pode vir aí um novo período de recessão e isso assusta, somos jovens adaptámos-nos a esta quarentena, também nos havemos de adaptar ao que o futuro tem para nós”, disse Raquel Jacob, nas “Conversas na Ecclesia” desta segunda-feira.

A jovem estudante de Ciências Biomédicas e presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve descreveu a “mudança brusca”, “sem tempo para ninguém se preparar” e houve muitos estudantes que tiveram de abandonar a Universidade.

“Foi uma mudança brusca para os professores e para os estudantes havia muita insegurança, foi difícil de gerir o choque inicial, depois a adaptação às aulas online, depois na área social tivemos as questões de habitação, colegas que deixaram de conseguir pagar as rendas de casa por serem trabalhadores estudantes, que perderam rendimentos, pessoas que voltaram para casa porque os pais perderam os empregos, depois outros com medo, já sem casa, a universidade do Algarve definiu que seria melhor não voltar ao ensino presencial”, explica. 

A jovem assumiu o cargo em janeiro e não foi possível concretizar os planos sonhados, “tudo foi cancelado ou adaptado” mas a fé ajudou-a a ir ultrapassando esta fase tornando-a “mais forte” e dando uma nova perspetiva deste tempo de pandemia. 

“Aprendemos a valorizar muitas coisas que dávamos como garantidas, tivemos de nos tornar mais disponíveis, a distância exigiu readaptação”, aponta. 

Licenciada em breve, mas com vontade de prosseguir os estudos, Raquel Jacob tentou olhar este tempo com “ a alegria que caracteriza cada cristão”, procurando o “bom no mau”.

Já da diocese de Viseu, Miguel Rodrigues sente que este tempo apurou o “espírito de comunidade” e mostrou a disponibilidade no grupo de jovens de Mesquitela. 

“Este tempo trouxe-nos o espírito de comunidade que existe entre nós e mostrou o quanto as pessoas estao disponíveis, aqui na minha terra unimo-nos para fazer alguma coisa, pensámos e para estar em contacto, criámos reuniões online diárias, orientadas pelo nosso pároco, rezávamos o terço, a via sacra, tivemos dinâmicas de vídeos e, acrescentou-se algo de inovador para viver tudo à distância”, conta.

O jovem estuda Contabilidade no Instituto Politécnico de Viseu e as aulas e exames online foi de difícil adaptação, mas “nem houve tempo para ficar ansioso”. 

“Foi uma realidade estranha, custou imenso, tinha uma rotina de levantar cedo, deslocar-me 20 km, para agora podermos levantar 5 minutos antes da aulas e até assistir de pijama, tive de trabalhar a parte da concentração”, confessa.

Quanto ao futuro Miguel Rodrigues olha ainda a incerteza de agora iniciar um curso universitário, não saber se em setembro estudará “nos mesmos moldes e métodos” apesar do “balanço ser positivo”.

“Não é tão fácil chegar onde queríamos, mas não há que ter medo, temos de continuar, não sabemos que tipo de avaliação iremos ter, em casa ou na universidade, não sabemos”, salienta. 

Mariana Martinho é estudante de Medicina na Universidade de Coimbra e este tempo de pandemia serviu para muita reflexão, confirmação de “empenho para ser profissional de saúde” mas também algumas frustrações. 

“A tradição e a normalidade foi quebrada, não trajei… Depois vivemos a dificuldade de ter aulas online, os exames online que é tão estranho, e foi muito difícil”, explica.

A futura médica considera este tempo como “uma lição para as nossas vidas”, em que os jovens foram “postos à prova”.  

“Foi uma prova de superação tão grande que seja o que vier, embora assuste e seja incerto, saímos daqui mais fortes”, destaca. 

A jovem natural da Tábua, na diocese de Coimbra, pertence ao secretariado da pastoral juvenil diocesana, “que teve de cancelar as suas atividades” mas, em tempo de confinamento, teve uma ajuda suplementar. 

“Fiz, pela primeira vez Missão País, fiz em Aveiro porque não consegui ficar colocada em Coimbra, e adorei, foi bom estarmos online porque se fosse presencialmente não poderia estar e assim acompanhei mais”, afirma.

Com tempo para “si própria e para estar com Deus” Mariana Martinho referiu ainda a necessidade de “valorizar mais as relações” e sente que este tempo de pandemia também deu para perceber que “não temos controlo nas coisas porque mais que tivessem preparadas”. 

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem o objetivo de partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetiva culturais.

SN

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