Antigo presidente da República e D. Manuel Clemente apresentaram a obra «Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja»

Lisboa, 18 mar 2026 (Ecclesia) – D. Manuel Clemente e Marcelo Rebelo de Sousa apresentaram hoje o livro “Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja”, afirmando a atualidade do pensamento social cristão, com memórias de um “voto vencido”, na Constituinte de 1976.
“Recordo sempre aquela declaração de voto vencido, de 76, criticando a ausência de referência expressa à dignidade da pessoa humana e à liberdade de ensino”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão que decorreu hoje na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O antigo presidente da República lembrou que foi preciso “continuar a partir pedra” para que “o que parecia uma evidência” nos anos 70 fosse possível na década seguinte, evocando o “conservadorismo da sociedade portuguesa”.
O livro “Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja” foi apresentado ao fim da tarde de hoje, na livraria da Universidade Católica Editora, em Lisboa, numa sessão promovida pela Associação de Juristas Católicos, onde se publicam as conferências que esta associação promoveu, entre abril e novembro de 2023, sobre o tema “Pensar a Constituição… À luz da Doutrina Social da Igreja”.
Numa intervenção escrita, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou a atualidade da Doutrina Social da Igreja (DSI), apontando também “o que a distingue”.
O que é que a distingue de outras mensagens, de uma realidade tão complexa, tão poliédrica, que tem convergências, as mais inesperadas, e divergências, também as mais inesperadas? Precisamente a sua raiz, a mensagem evangélica. Esse fenómeno que se chama fé, vivida como é, a fé de cada cristão, por percursos diferentes do de todos os demais cristãos”.
O antigo presidente da República recordou os contributos dos vários pontificados em torno da DSI, que junta, “Igreja e mundo, paz e justiça, global e universal, económico e social, cívico e cultural”.
“Francisco veio, de fora da Europa, arrancar com uma nova era, semeadora e profética, mais latino-americana do que africano-asiática. E Leão XIV tem por missão reunificar, uma vez mais, e enquadrar, porventura sem as angústias de Paulo VI”, referiu.
Na sua intervenção, o professor universitário denunciou a a guerra “imoral” que vive de algoritmos, “sem controlo humano”.
“Imoral é permitir que armas de toda a ordem, tal como os algoritmos que as suportam, possam disparar e matar para decidir guerras e pazes militares, culturais, sociais, comportamentais, sem controlo humano”, sublinhou.
Para D. Manuel Clemente, é necessário sublinhar a “imoralidade” da guerra, que “não serve ninguém”, salvaguardando a legítima defesa, de “uma maneira proporcionada”.
A humanidade, a reflexão, o direito, a convenção internacional, os tratados, as declarações universais, tudo isso é fruto de muita reflexão sobre estas temáticas. Se isso não é tido em conta, depois entramos em becos sem saída. E da guerra só sai guerra!”
O cardeal D. Manuel Clemente afirmou em declarações à Agência ECCLESIA e à Renascença que “vence quem vence” um conflito, mas “as feridas ficam lá e, muitas vezes, essas feridas que ficam são ocasião de outras guerras no futuro”.

O patriarca emérito de Lisboa sublinhou também que o Estado é o “o primeiro órgão” das sociedades com responsabilidade na “promoção do bem comum”, nomeadamente na ajuda a quem vive situações de pobreza.
A edição da obra surge no contexto do 50º aniversário da Constituição da República Portuguesa, que se assinala no dia 2 de abril.
Os doze artigos da obra publicada pela Universidade Católica Editora são da autoria dos conferencistas que participaram no ciclo de conferência promovido pela Associação de Juristas Católicos, em 2023: André Folque, António Bagão Félix, Eduardo Marçal Grilo, Jorge Pereira da Silva, José Diogo Ferreira Martins, José Maria Cortes, Maria d’Oliveira Martins, Mário Pinto, Miguel Assis Raimundo, Sílvia Mangerona e Vasco Ressano Garcia.
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