Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa alerta para a “necessidade de encontrar respostas comuns”

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 15 out 2022 (Ecclesia) – D. José Ornelas Carvalho, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, disse hoje que a “comunidade crente é o lugar específico onde se completa o sentido de fraternidade” e alerta que a “missão se deve viver em campo interconfessional”, sem lutas nem violência.

“A comunidade crente é o lugar específico onde se completa o sentido de fraternidade, de experiência religiosa, essa fraternidade universal pode começar de uma fraternidade co-natural, irmãos e irmãs de sangue mas abre-se a outras experiências de fraternidade e cumplicidade no relacionamento e na vida que são aquilo que constitui o ser religioso”, afirmou D. José Ornelas no Congresso Missionário, que tem lugar na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O prelado proferiu a conferência intitulada “Fraternidade e Missão” e salientou a sua experiência de fraternidade que iniciou no seio da família, com oito irmãos, onde apesar das diferenças, “tudo está enraizado no comum, na família, na fraternidade”.

“A missão é nesse âmbito que se vive e que tem de se deve viver no campo interconfessional, não é uma campanha eleitoral, nem luta fraticida mas tem de ser a proposta da experiência de fé vivida e partilhada para transformação da humanidade”, reforçou.

D. José Ornelas referiu vários conceitos de fraternidade e apontou ainda que a “missão faz ligar aos outros”.

“Está na moda falar em espiritualidade não religiosa, sem filiação, na perspetiva onde tudo vem servido no meu ecrã, no meu computador, nem precisa de comunidade, mas que apela a um sentido de não estar sozinho ou de encontrar respostas comuns é por isso é que é imperativo esta visão, participação e noção de projeto e futuro, que seja partilha e comunicado, isso é o que se chama a missão, só assim se constitui uma comunidade crente, unida pela mesma fé e compromisso”.

Olhando o campo de missão, o também bispo de Leiria-Fátima recordou as tantas “guerras, vítimas, destruições, ódio, sangue, genocídios” que “aconteceram em nome de Deus” que faz com que seja uma contradição.

“Quando nos deixamos de ver como filhos desse Deus começa a não se entender o ser irmão e se não formos ligados a cada pessoa, transforam-se num feudo, numa fortaleza que se sente atacada pelos outros, complica-se o sistema social, planetário e, cito um provérbio africano: “Quando os elefantes lutam quem perde sempre é a relva””, indica.

Na sua intervenção D. José Ornelas apontou que a “religião não se pode impor a ninguém” e recordou as várias guerras, “além da guerra na Ucrânia e outras partes do mundo”, mas também a “violência verbal que humilha ou a violência económica que põe tanta gente fora do circuito da dignidade da vida”.

D. José Ornelas terminou citando as “parábolas da semente e do fermento” como exemplo para a missão “no respeito por todos e sem “comprometimento no sabor”.

SN

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