Assessores de imprensa e porta-vozes das conferências episcopais da Europa analisaram os desafios da Inteligência Artificial

Roma, 11 mai 2026 (Ecclesia) – O secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé afirmou que as pessoas procuram sentido nos espaços digitais, locais que a Igreja deve habitar, não apenas utilizando a tecnologia, mas com “autenticidade e propósito”.
“A missão digital (da Igreja) não consiste simplesmente na utilização da tecnologia ou na produção de conteúdos, mas diz respeito à forma como a Igreja proclama o Evangelho hoje”, refere o comunicado de imprensa enviado hoje à Agência ECCLESIA sobre a comunicação do padre Lucio Adrian Ruiz, no encontro de Assessores de Imprensa e Porta-vozes do Conselho Conferências Episcopais Europeias (CCEE), que decorreu em Roma.
“Ele destacou como as pessoas vivem, comunicam e procuram sentido também nos espaços digitais, e como a Igreja é chamada a habitar esses espaços com autenticidade e propósito”, acrescenta o comunicado.
«A Igreja na Europa e a Missão Digital» foi o tema do encontro onde participaram D. Nuno Brás, bispo do Funchal, que preside à comissão para as comunicações sociais do CCEE, o padre Manuel Barbosa, secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e Anabela Sousa, assessora de imprensa da CEP.

O presidente do CCEE, D. Gintaras Linas Grušas, indicou o “mundo digital”, não como um universo “paralelo, mas habitado por pessoas reais, com questões, feridas, esperanças e desejos”, aponta um comunicado.
“É precisamente neste autêntico campo missionário que a Igreja na Europa é chamada a estar presente: com verdade, humildade e criatividade. A comunicação eclesial deve permanecer centrada na pessoa humana, promovendo o encontro, a confiança e a comunhão, em vez da polarização e da divisão”, convidou o também arcebispo de Vilnius.
Os desafios da Inteligência Artificial (IA), nomeadamente a influência “cultural” e a influência “profunda na forma como as pessoas compreendem a realidade”, foi abordada por Matthew Harvey Sanders, fundador e CEO da Longbeard e criador do Magisterium AI — o principal motor de respostas dedicado à Igreja Católica em todo o mundo.
“A inteligência artificial representa não só uma mudança tecnológica, mas também cultural, capaz de influenciar profundamente a forma como as pessoas compreendem a realidade. A IA não é neutra e deve ser orientada por uma visão correta da pessoa humana, encorajando os comunicadores da Igreja a assumirem um papel ativo na compreensão e integração destas ferramentas na missão da Igreja”, salienta o comunicado.
O professor de Comunicação e Inteligência Artificial, Giovanni Tridente, alertou para a necessidade de se “abordar a inteligência artificial com discernimento” e afirmou que “a tecnologia deve permanecer ao serviço da pessoa humana, da verdade e das relações humanas”.
Para Juan Narbona, professor de Comunicação Digital “as redes sociais podem tornar-se um espaço de evangelização e de reconstrução da confiança na Igreja, oferecendo também sugestões práticas para uma presença autêntica e responsável no mundo digital”.
O especialista em comunicação empresarial, estratégia e credibilidade, Marc Argemí, afirmou a importância de “construir confiança, contexto e credibilidade antes, durante e após as crises” e reconheceu os “rumores” como oportunidades comunicativas.
O papel “decisivo” dos meios de comunicação social, das “redes sociais e da comunicação do Vaticano” durante o conclave que elegeu o Papa Leão XIV e a transição entre Francisco e atual pontificado, foi analisado pelo professor Diego Contreras.
Os participantes do encontro, que terminou no dia 7, puderam ainda “visitar a sede dos meios de comunicação da Conferência Episcopal Italiana (TV2000, inBlu2000, Avvenire, Agenzia SIR, EdS) e de partilhar várias «melhores práticas» digitais das respetivas Conferências Episcopais, promovendo assim a troca de experiências e reflexões comuns.”.
O próximo encontro ficou marcado para Sófia, na Bulgária, entre os dias 5 a 7 de maio de 2027.
LS/PR
