Diretor do jornal «A Guarda» defende maior representatividade das regiões na informação nacional e pede «reconhecimento» do trabalho da imprensa de inspiração cristã

Guarda, 21 mai 2021 (Ecclesia) – O padre Francisco Barbeira, diretor do jornal ‘A Guarda’, disse que deve ser a imprensa regional, “e de inspiração cristã”, a “dar voz a quem não tem voz”, lamentando a falta de representatividade na informação nacional.

“As pessoas daqui das aldeias são fabulosas, têm coisas extraordinárias que se estão a perder com o tempo. O papel dos jornais regionais, e os de inspiração cristã, é esse de dar voz às pessoas. Se não lhes dermos voz elas não têm voz. Muito raramente os jornais nacionais dão voz aos cesteiros, às artes e ofícios”, refere à Agência ECCLESIA o diretor do jornal, em funções desde 2017.

A redação do jornal ‘A Guarda’ partilha as suas instalações com a livraria Veritas, na cidade, local onde se estabelecem relações e surgem ideias de reportagens que, assume o padre Francisco Barbeira, só se conseguem fazer no terreno.

“Recentemente fiz um trabalho com uma senhora de uma aldeia próxima que tem uma casa transformada em museu. Ela vai criando oratórios, vai vestindo santos, e tem uma autêntica relíquia, uma casa só dedicada a imagens. Se eu não fosse lá, não conseguia abarcar toda aquela riqueza que ali guarda. Eu julgava de ia encontrar uma coisa sem significado nenhum, mas quando ela abriu a porta fiquei espantado”, recorda.

Para o padre Francisco Barbeira, gastar as solas dos sapatos, como sugere o Papa Francisco aos jornalistas, é o caminho para descobrir “a riqueza dos lugares” e as pessoas não serem esquecidas.

“Esta riqueza só se descobre no lugar. Não podemos esquecer o que é feito por esta gente simples, humilde, trabalhadora, que gastou as mãos, gastou a sua saúde a trabalhar no campo e a promover tantas artes e ofícios”, adverte.

O jornalismo e o sacerdócio surgiram na vida do padre Francisco Barbeira quase simultaneamente; hoje, quando os entrevistados sabem que o jornalista é também padre estabelece-se uma “confiança” e as pessoas “contam tudo”.

Para Francisco Barbeira, diretor do jornal ‘A Guarda’ desde 2017, a imprensa regional é fundamental para a coesão territorial e nesse sentido, para a construção da democracia, mas sublinha que a sua valorização é um trabalho que compete a todos.

“Por vezes somos nós que não promovemos o que é nosso e quando não promovemos o que é nosso não podemos ficar à espera que outros promovam. O jornal integra a diocese e é importante que se perceba que, apresentando a perspetiva de Doutrina Social da Igreja, torna-se um veículo de promoção do que somos. Evangelizar passa também pelo jornal”, enfatiza.

O jornal ‘A Guarda’ conta com 107 anos de história celebrados a 15 de maio último, e a cada publicação procura contar histórias da cidade e de toda a região.

A partir da mensagem do Papa Francisco para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «Vem e Verás», as «Conversas na Ecclesia» desta semana vão destacar histórias de jornalistas que «gastam as solas dos sapatos» indo ao encontro das notícias onde elas acontecem e onde as pessoas as podem contar na primeira pessoa, às 17h na Agência ECCLESIA e às 22h45 na Antena 1.

LS

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