Responsáveis de gabinetes de comunicação e assessoria refletem sobre dificuldades e desafios de «falar a uma só voz» e manter um «bom plano de comunicação» dirigidos a diferentes públicos

Foto: Agência ECCLESIA

Lisboa, 28 set 2020 (Ecclesia) – A diretora de comunicação da Fundação Calouste Gulbenkian disse, durante as Jornadas Nacionais da Comunicação Social, ser essencial fazer “coisas diferentes para públicos diferentes”, procurando chegar a novas pessoas que desconhecem a instituição e a sua atuação.

“Para conseguirmos sair do nosso pequeno círculo é preciso ir conhecer as pessoas e perceber onde é que nos podemos manifestar. As coisas boas também podem ser notícia, não são só as desgraças ou pandemias; o bem pode e deve ser comunicável. Temos de arranjar os instrumentos para o comunicar e de forma célere”, afirmou Elizabete Caramelo no grupo de trabalho que refletiu sobre a assessoria de imprensa, na tarde do primeiro dia.

A responsável frisou a importância de “falar a uma só voz” e de manter uma estreita ligação com a presidente da Fundação com vista a uma comunicação eficaz.

“Parece-me muito importante que os gabinetes de comunicação dependam de quem define a estratégia”, sublinha.

Há 14 anos em funções na Fundação Calouste Gulbenkian, Elizabete Caramelo deu conta de um trabalho de “diplomacia” entre “diferentes públicos” e onde, um deles, os jornalistas, “não têm de ser especialistas” na matéria, daí a importância de explicar e estabelecer uma ligação.

A responsável sublinhou ainda a importância de se investir em “conteúdos”, pois estes são mais eficazes do que “comunicados e decisões”.

“As pessoas e as histórias, os seres humanos chegam mais depressa ao público do que decisões”, reconheceu.

No segundo dia o padre Miguel Neto, responsável pela comunicação na Diocese do Algarve, reconheceu que os conteúdos com “histórias” são mais importantes do que a “informação sobre os planos pastorais”.

“Insistimos na comunicação institucional como forma de acolhimento quando, essas coisas são internas; devemos sim publicitar a Igreja e a consequência dos planos pastorais. As pessoas não querem saber dos planos pastorais, mas sim de pessoas, de histórias. É preciso humildade e assertividade”, afirmou.

O padre Miguel Neto indicou que o gabinete de comunicação é composto todo ele por voluntários que “têm outras tarefas a cumprir”, que o responsável do gabinete é “um cargo de confiança” e pediu mais “frontalidade”.

“Somos mais do segredo do que da frontalidade. Para os meus colegas padres eu sou o jornalista a quem pedem que não conte tudo e para os jornalistas sou o padre que estou a esconder e a proteger a informação”, afirmou.

O responsável deu ainda conta da importância de uma educação para os media para paroquianos, leigos e diocesanos, e disse que o gabinete apresentou essa formação à diocese tendo contado com a participação de oito pessoas e um “desinteresse” geral pelo tema.

“Um tempo depois, vieram pedir à diocese essa mesma formação”, indicou.

O padre Miguel Neto valorizou ainda, tal como Elizabete Caramelo, “um bom plano de comunicação” como essencial para o caminho a seguir.

LS

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