Francisco reconhece falhas na avaliação da situação e convoca bispos e vítimas para encontros no Vaticano

Cidade do Vaticano, 12 abr 2018 (Ecclesia) – O Papa confessou “dor e vergonha” com os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero e religiosos no Chile, após ter recebido um relatório dos enviados a quem confiou uma investigação sobre estas situações.

Numa carta enviada aos bispos chilenos, divulgada esta quarta-feira pela sala de imprensa da Santa Sé, Francisco assume que teve “graves erros de avaliação e perceção da situação”, em particular por falta de uma “informação verdadeira e equilibrada”.

“Peço perdão, desde já, a todos os que ofendi e espero poder fazê-lo pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que irei ter com representantes das pessoas entrevistadas”, adianta.

O Papa Francisco dá conta desta posição após ter recebido o relatório realizado pelo arcebispo Charles Scicluna, presidente do Colégio para o exame dos recursos (em matéria de delitos mais graves) na Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé), e monsenhor Jordi Bertolomeu, oficial da referida Congregação.

Os responsáveis estiveram no mês de fevereiro em Santiago do Chile e Nova Iorque, para recolher depoimentos sobre eventuais casos de abusos sexuais envolvendo a Igreja Católica.

Na sua viagem ao Chile e ao Perú, o Papa tinha reafirmado a sua confiança no bispo de Osorno (Chile), D. Juan de la Cruz Barros, nomeado em janeiro de 2015 para o cargo.

Este prelado tem sido contestado pelo clero local e por outros setores da sociedade chilena por ter, alegadamente, encoberto um caso de abuso sexual cometido por um sacerdote.

Francisco assinala que, após uma leitura das atas deste processo, é possível ver que as testemunhas “falam de um modo sincero de muitas vidas crucificadas”.

“Confesso que isso me causa dor e vergonha”, pode ler-se.

O Papa fala ainda da “dor de muitas vítimas de graves abusos de consciência e de poder, em particular dos abusos sexuais cometidos por vários consagrados” contra menores de idade.

A carta chegou ao Chile no momento em que a Conferência Episcopal está reunida na sua 115ª assembleia plenária.

Francisco pede aos bispos “colaboração e a assistência” de todos nas medidas que “a curto, médio e longo prazo vão ser adotadas, para restabelecer a comunhão eclesial no Chile, com o objetivo de reparar o quanto possível o escândalo e restabelecer a justiça”.

O Papa convocou os bispos chilenos a Roma, para dialogar sobre as conclusões do relatório.

O presidente da Conferência Episcopal Chilena, D. Santiago Silva, disse em conferência de imprensa que o episcopado católico partilha as preocupações do pontífice.

“Não fizemos o suficiente”, admitiu o responsável, afirmando o compromisso dos bispos para que esta situação “não volte a acontecer”.

O encontro com o Papa vai decorrer em Roma, na terceira semana de maio.

OC

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