«Toda a condenação sem futuro é tortura», apontou Francisco

Santiago, 16 jan 2018 (Ecclesia) – O Papa esteve hoje com cerca de 500 reclusas do Estabelecimento Prisional de Santiago, na capital do Chile, e destacou a importância de uma sociedade capaz de corrigir quem erra mas que também de perdoar e de voltar a acolher.

“Toda a condenação sem futuro não é uma condenação humana, é tortura”, frisou Francisco, num discurso em que tratou as presas por “irmãs” e salientou a necessidade de trabalhar na “reinsersão” de todos os reclusos e de estes nunca perderem a “dimensão da esperança”.

“Hoje vocês estão privadas da liberdade, mas isso não significa que essa situação seja definitiva, de maneira nenhuma”, reforçou o Papa argentino, que alertou ainda para a tentação de rotular, de “coisificar” os outros, sobretudo aqueles que cairam, que tiveram um percalço na sua vida.

“Nenhum de nós é uma coisa, aqui não há a reclusa número tal, há a senhora ou a menina tal”, defendeu Francisco.

O Estabelecimento Prisional de Santiago acolhe atualmente cerca de 1400 mulheres, quando a sua capacidade seria para pouco mais de 850 reclusas, estando assim em situação de sobrelotação.

Ao chegar a esta instituição, Francisco foi recebido por várias presas com crianças de colo, já que muitas mães cumprem a sua pena com os seus filhos, e várias crianças acabam mesmo por ser colocadas para processo de adoção.

No acolhimento ao Papa argentino, foi visível a colocação de várias faixas coloridas, com frases que Francisco tinha dito em visitas a outros estabelecimentos prisionais.

“Todos cometemos erros na vida”, dizia uma das faixas.

Para o Papa, a questão das mães com filhos que estão a cumprir pena nos estabelecimentos prisionais deve também fazer a sociedade refletir acerca da melhor forma de reabilitar quem errou.

Já que muitas destas crianças e jovens acabam elas próprias, se não tiverem uma pespetiva de futuro, por cair nos mesmos caminhos.

“O horizonte da reinserção é algo que vocês devem exigir sempre à sociedade”, completou.

Atualmente, são mais de 50 mil os homens e mulheres que estão em prisões no Chile.

No final da sua visita, o Papa Francisco deixou como presente às reclusas uma imagem em cerâmica de Nossa Senhora, em atitude orante, como sinónimo também das mães que ali estão.

“Levantem-se sempre”, exortou.

Durante este dia, o Papa vai estar ainda com dois mil sacerdotes, religiosos, religiosas, consagrados e seminaristas, na Catedral de Santiago, e com os bispos, na sacristia da Catedral.

O segundo dia da visita do Papa termina com uma visita privada de Francisco ao Santuário de São Alberto Hurtado e um encontro privado com os sacerdotes da Companhia de Jesus.

A 22ª viagem internacional do pontificado do Papa Francisco, neste caso ao Chile e a Peru, decorre até domingo com passagens por seis cidades chilenas e peruanas, num percurso total de mais de 30 mil quilómetros.

O Chile recebe um Papa mais de 30 anos depois da visita de São João Paulo II, em 1987.

 

JCP

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