Fernando Karadima deixa de ser padre por decisão pessoal de Francisco

Cidade do Vaticano, 28 set 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco decidiu demitir do estado clerical o antigo padre Fernando Karadima, que esteve na origem do escândalo de abusos sexuais que afeta a Igreja Católica no Chile.

“O Santo Padre tomou esta decisão excecional em consciência e pelo bem da Igreja”, anunciou hoje o Vaticano.

A nota oficial precisa que o Papa exerceu o seu “poder ordinário, que é supremo, pleno, imediato e universal na Igreja”, como o define o Direito Canónico (cânone 331), “consciente do seu serviço ao Povo de Deus, como sucessor de São Pedro”.

O decreto foi assinado por Francisco esta quinta-feira e entrou em vigor “automaticamente”, comportando a “dispensa de todas as obrigações clericais”.

O antigo padre Karadima foi notificado hoje, acrescenta o comunicado do Vaticano.

No final de abril, o Papa recebeu na Casa Santa Marta três vítimas de abusos do antigo sacerdote chileno: Juan Carlos Cruz, James Hamilton e Jose Andrés Murillo; mais tarde, encontrou-se com um segundo grupo de vítimas do ex-padre Karadima e seus seguidores da paróquia do Sagrado Coração da Providência (“El Bosque”).

A 20 de setembro, o Papa aceitou a renúncia de dois bispos católicos do Chile, subindo para sete o número de prelados substituídos nos últimos meses.

Em agosto, o Papa escreveu à Conferência Episcopal do Chile, para saudar a aprovação de propostas “realistas e concretas” no combate a casos de abusos sexuais, após a divulgação do documento ‘Declaración, Decisiones y Compromisos’, após uma assembleia plenária extraordinária do episcopado.

A Conferência Episcopal do Chile assumiu erros na gestão de casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero ou em instituições católicas, anunciando novas medidas, como a total disponibilidade em cooperar com a Procuradoria da República, promovendo a informação transparente das investigações sobre os abusos e a publicação online dos nomes dos sacerdotes que cometeram abusos.

Em abril, o Papa confessou “dor e vergonha” com os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero e religiosos no Chile, tendo convocado os bispos católicos do país para uma reunião no Vaticano, além de receber grupos de vítimas.

Em maio, todos os prelados chilenos apresentaram ao Papa a sua renúncia; em junho, Francisco tinha substituído cinco responsáveis (dioceses de Puerto Montt, Valparíso, Osorno, Rancagua e Talca) e escreveu uma carta à comunidade católica do país, na qual se pede o fim de uma “cultura do abuso e do encobrimento”.

A missiva surgiu na sequência das investigações em curso sobre atos de abusos sexuais, levadas a cabo por D. Charles Scicluna e Mons. Jordi Bertomeu, enviados especiais do Papa.

Os dois responsáveis estiveram no mês de fevereiro em Santiago do Chile e Nova Iorque, para recolher depoimentos.

Um dos bispos substituídos foi o antigo responsável da Diocese de Osorno (Chile), D. Juan de la Cruz Barros, nomeado em janeiro de 2015 para o cargo; o prelado era contestado pelo clero local e por outros setores da sociedade chilena.

Em causa estava a acusação de proteção de D. Juan de la Cruz Barros ao então padre Fernando Karadima, quem em 2011 foi sancionado pelo Vaticano, por causa de casos de abusos sexuais.

Esta sanção foi agora agravada por iniciativa pessoal do Papa Francisco

OC

Notícia atualizada às 15h10

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