Especialistas analisaram relação Igreja-Estado na I República

Lisboa, 26 mai 2017 (Ecclesia) – O colóquio ‘Fátima. História e Memória’, que começou hoje na Academia Portuguesa da História, em Lisboa, abordou esta tarde o momento histórico dos acontecimentos de 1917 na Cova da Iria, em particular a relação Igreja-Estado na I República.

António Ventura, historiador e professor catedrático da Universidade de Letras de Lisboa, especialista em história da I República, falou aos participantes deste “tema complicado”, sublinhando que, a par da “questão social”, a chamada “questão religiosa” minou o regime republicano.

A I República, acrescentou o orador, abriu um “ovo ciclo histórico nas relações entre Igreja e Estado”, que tem como “corolário” a Lei da Separação, de 20 de abril de 1911.

A “hostilidade” dos poderes republicanos face à Igreja levou ao afastamento dos “católicos moderados”, face à implementação de medidas “imediatas” para uma “laicização do Estado, da Cultura e também das consciências”, com atos de violência contra instituições e pessoas, incluindo “o assassinato de dois sacerdotes”.

António Ventura definiu o anticlericalismo desta época como um “fenómeno elitista e urbano”, sublinhando que a partir de dezembro de 1917, com a revolta dirigida por Sidónio, há uma “descompressão progressiva” que leva ao restabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé.

Os trabalhos prosseguiram com um painel dedicado ao tema ‘O republicanismo e Fátima’, iniciado por Luís Filipe Torgal, historiador da Universidade de Coimbra, que falou na “construção da Lurdes Portuguesa”, questionando o atual “discurso sobre a história de Fátima”.

João Poças das Neves, do Centro de Estudos de Fátima, apresentou a realidade do Concelho de Vila Nova Ourém no início do século XX, em particular a implantação do movimento republicano, bem como as ações que, tentado contrariar a divulgação das aparições de Fátima, acabaram por ter um “efeito contrário” ao que pretendiam.

O Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, acolhe este sábado os participantes no segundo dia do colóquio, onde vão ser abordados os temas: ‘Fátima, O Estado Novo e o 25 de Abril’; ‘A questão religiosa ao tempo do Estado Novo’ e ‘Fátima e o discurso religioso contemporâneo’.

A conferência de encerramento deste colóquio vai ser proferida por D. Manuel Clemente que reflete sobre ‘Fátima no contexto do catolicismo contemporâneo’.

OC

Partilhar:
Share