Francisco destaca que a violência e a guerra «nada têm a ver com o autêntico espírito religioso»

Nur-Sultan, 15 set 2022 (Ecclesia) – O Papa reforçou hoje no Cazaquistão à rejeição da violência e do fundamentalismo religioso, associando-se à declaração final do VII Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais.

“O extremismo, o radicalismo, o terrorismo e qualquer outro incentivo ao ódio, à hostilidade, à violência e à guerra – seja qual for a motivação ou objetivo que se proponham – nada têm a ver com o autêntico espírito religioso e devem ser rejeitados nos termos mais decididos que for possível; condenados, sem ‘se’ nem ‘mas’”, disse Francisco, no Palácio da Independência de Nur-Sultan, após a leitura do documento, com 35 pontos.

“O terrorismo de matriz pseudorreligiosa, o extremismo, o radicalismo, o nacionalismo amantado de sacralidade ainda fomentam medos e preocupações a respeito da religião”, acrescentou.

No discurso final da sua viagem de três dias, o Papa lamentou os “ódios e divisões” que marcam a vida da humanidade, sublinhando que, no mundo globalizado, essa situação “é ainda mais perigosa e escandalosa”.

A intervenção saudou os representantes das várias religiões presentes – mais de 100 delegações de cerca de 60 países -, que se reuniram num “período tão difícil sobre o qual pesa, para além da pandemia, a loucura insensata da guerra”.

“A paz é urgente, porque hoje qualquer conflito militar ou foco de tensão e confronto não pode deixar de provocar um nefasto ‘efeito dominó’, comprometendo seriamente o sistema de relações internacionais”, advertiu o pontífice, citando a declaração final.

Francisco sustentou que o diálogo inter-religioso é um “caminho comum de paz e para a paz, e, como tal, é necessário e sem retorno”.

A fraternidade cresce através da luta contra a injustiça e as desigualdades, constrói-se estendendo a mão aos outros”.

O discurso recordou que Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais nasceu em 2003 e teve como modelo o Dia de Oração pela paz no mundo, convocado no ano de 2002 por João Paulo II, em Assis, após os atentados do 11 de setembro de 2001, como resposta “ao clima incendiário a que a violência terrorista queria incitar e que se arriscava a fazer da religião um fator de conflito”.

“O respeito mútuo e a compreensão devem ser considerados essenciais e imprescindíveis no ensinamento religioso”, sustentou.

Foto: Vatican Media

O Papa destacou algumas passagens da declaração do congresso, a qual exorta os líderes mundiais a “cessar em todo o lado conflitos e derramamentos de sangue e a abandonar retóricas agressivas e destrutivas”.

“Pedimos-vos, em nome de Deus e para bem da humanidade: empenhai-vos pela paz, não pelos armamentos! Só servindo a paz é que permanecerá grande na história o vosso nome”, reforçou.

Antes de tomar decisões importantes, olhe-se mais para o bem do ser humano do que para os objetivos estratégicos e económicos, para os interesses nacionais, energéticos e militares”.

Francisco pediu mais proteção para as mulheres, “enquanto membros de igual direito na família e na sociedade”, e para os jovens, “mensageiros de paz e de unidade de hoje e de amanhã”.

“Avancemos, caminhando juntos na terra como filhos do Céu, tecedores de esperança e artesãos de concórdia, mensageiros de paz e de unidade”, concluiu.

Após o discurso de encerramento do Congresso, pelo presidente da República do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o Papa cumprimenta os vários líderes religiosos e segue de carro para o Aeroporto Internacional Nur-Sultan, onde decorre a cerimónia de despedida.

OC

Cazaquistão: «Precisamos de religião para responder à sede de paz do mundo» – Francisco

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