Nas jornadas nacionais de catequistas, sacerdote espanhol apelou à “mudança de paradigma” no ato catequético.

Fátima, 22 out 2022 (Ecclesia) – O secretário da Comissão Evangelização, Catequese e Catecumenado de Espanha, padre Francisco Romero, pediu, este sábado, em Fátima, nas jornadas nacionais de catequistas, para que estes educadores da fé sejam “provocadores”.

“Os catequistas têm hoje de ser provocadores, mais do que transmitir muitas coisas devem estar atentos aos que se abeiram da Igreja para não se correr o risco de dar respostas a perguntas que não se fazem”, sublinhou o sacerdote espanhol nesta iniciativa promovida pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).

Na sua intervenção, o responsável pediu aos catequistas que “se encham de Deus” para o poder anunciar aos outros e serem “provocadores” perante aqueles que desejam respostas.

Trata-se, sim, de provocar a dúvida, de inquietar, despertar o interesse, e ter em atenção aquilo que se passa na vida de cada um, procurando perceber o que se busca”, disse o padre Francisco Romero.

Em Fátima, e no primeiro dia das Jornadas Nacionais dos Catequistas, o secretário da Comissão evangelização, catequese e catecumenado, de Espanha, pediu uma “reconversão” da própria formação destes agentes de pastoral.

“Não podemos continuar a dar aos catequistas apenas uma formação intelectual. Temos de mudar o paradigma. Precisamos de uma formação que abarque a cabeça, o coração e a vontade. Trata-se de ter uma vida de fé profunda para que a possam transmitir a outros. O catequista tem de encher-se para depois dar”, apelou.

Em declarações aos jornalistas, à margem da conferência «A Catequese na missão evangelizadora da Igreja», que apresentou às seis centenas de catequistas, de todo o país, presentes m Fátima, o responsável lembrou que “ser catequista é, antes de mais, deixar-se envolver por Cristo e conduzir outros a esse abraço”.

“Trata-se de fazer com que o amor de Deus, a misericórdia, possa chegar a todas as pessoas. Esta é a tarefa e a missão da catequese. Trata-se de dar a Cristo para as chagas, as interrogações e o sentido de cada um, muito mais do que transmitir muitos conteúdos”, sublinhou.

Perante um novo Diretório para a Catequese, editado em plena pandemia Covid-19, o padre Francisco Romero lamenta que, “durante demasiado tempo”, se tenha mantido “um pressuposto de que todos vêm até nós com fé”.

“Durante muitos anos a sociedade parecia viver o paradigma cristão. Ficámos com a ideia de que todos eram crentes e que à catequese bastava completar isso com um conjunto de fundamentos. Hoje, pelo contrário, o paradigma mudou e a catequese deve começar este processo de ajudar a despertar a fé, o interesse por Deus e pelo evangelho, para que esse interesse permita dar o salto da fé. Que se suscite este desejo de Deus a partir das perguntas que nascem da vida de cada um”, apontou o secretário da Comissão Evangelização, Catequese e Catecumenado de Espanha.

Os catequistas portugueses, estão reunidos em Fátima, até este domingo, a refletir sobre o Diretório para a Catequese, editado pelo Vaticano em 2020, e que se constitui como documento orientador para o setor.

LFS

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